A superfederação formada com a junção do União Brasil com o Partido Progressista tem dado o que falar na Paraíba e no Brasil como um todo. Aqui, a conversa gira em torno do destino da ‘União Progressista’, já que o grupo permanecerá até março do ano que vem com um pé em cada canoa. O PP está na base do governador João Azevêdo (PSB) e tem tudo para conquistar a cabeça de chapa na próxima eleição para o governo. Já o União Brasil segue de mãos dadas com o clã Cunha Lima, de Cássio e Pedro Cunha Lima (PSD), visando o mesmo intento, mas com disputa interna mais indefinida. Voltaremos ao assunto mais abaixo.
Primeiro vamos falar da questão nacional. Ah! A questão nacional merece um capítulo à parte, porque os dois partidos terão que funcionar como um único no ano que vem. Ambos estão na base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sem juras de amor. Eles têm quatro ministérios (Comunicações, Esportes, Turismo e Desenvolvimento Regional), além da Caixa Econômica, mas estão longe de fechar exclusividade com o presidente Lula. Também estão na jogada o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e quem quer que venha a ser o nome do bolsonarismo (Michelle ou Eduardo Bolsonaro).
Não será exclusivamente de ninguém. O rótulo de centro serve para isso mesmo. Por tradição, o grupo estará com um e a tendência é que seja um candidato de direita à extrema-direita, mas ao mesmo tempo dará abraços informais nos outros postulantes, inclusive Lula. Ter a maior federação, no Brasil, não é sinônimo de sucesso. Basta lembrar que quando Ulysses Guimarães foi candidato a presidente, em 1989, e teve apoio de MDB (seu partido) e DEM, que tinham juntos 350 deputados. Em 2018, Geraldo Alckmin reuniu PSDB, DEM, PP, PR, PRB, SD, PTB, PSD e PPS. Ambos fracassaram miseravelmente.
Então, não vale a pena ter o apoio de uma federação que reúne 109 deputados, 14 senadores, 6 governadores e 1,3 mil prefeitos? Lógico que vale, mas é preciso a consciência de que isso de prático dará um bom tempo de TV, mas não a garantia da eleição, já que o pedido de voto será difuso e obedecerá à conjuntura dos arranjos regionais. Vejamos o caso da Paraíba. É factível imaginar o deputado federal Aguinaldo Ribeiro e a senadora Daniella Ribeiro, ambos do PP, pedindo voto para Caiado? E do outro lado. É possível pensar em Efraim Filho (União) de vermelho pedindo votos para Lula?
A pauta difusa promete ser a marca deste grupo, assim como era com o MDB nos tempos áureos. O partido integrava a base petista, mas flertava com o PSDB em vários estados. Do grupo atual, o mais empolgado é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele disse que vai “subir a rampa do Palácio do Planalto” em 2027. Não é impossível imaginar que será o primeiro abandonado. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), defende o desembarque do governo Lula e o abraço ao bolsonarismo, mas não tem poder para isso. Não ainda. E ainda teria a possibilidade de apoio a Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas este deve disputar a reeleição em São Paulo.
Na Paraíba, a briga será pelo comando da Federação. Ele será compartilhado até março do ano que vem, entre Aguinaldo e Efraim. Depois disso, a Federação Nacional dará o veredicto sobre o destino do grupo. Fica com o candidato governista ou com a oposição. A preço de hoje, a tendência é que siga a situação, mas nada está definido. Dependendo de como isso seja negociado, é possível prever que os incomodados se mudarão. Agora, traçando um paralelo com a questão nacional, é possível dizer com certeza que o destino da federação terá peso, e muito, no quadro sucessório local.
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