Executivo
Sobre ética, responsabilidade no jornalismo e o repúdio da UFPB
11/04/2023 23:07
Suetoni Souto Maior
UFPB adota medidas de segurança após notícias sobre risco de ataques a instituições de ensino pelo país afora. Foto: Divulgação/UFPB

Em agosto de 2000 o Correio Braziliense surpreendeu a todos com uma manchete singela no número de toques, mas expressiva na coragem: “O Correio errou”. Aquela capa virou exemplo para todos os jornais e jornalistas, até então acostumados a minimizar os próprios erros. Erros de pessoas falíveis. E nesta terça-feira (11), depois de quase 30 anos entre estudos e a labuta no jornalismo, chega a minha vez de admitir que houve erro em uma matéria publicada neste espaço. Ela foi originada de fato que depois descobrimos ser inverídico, que circulou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e que induziu ao erro professores, alunos e muitos jornalistas.

Trata-se da informação de que teriam sido encontradas mensagens com apologia ao nazismo contendo ameaças a estudantes, professores e alunos em um banheiro da instituição. Fotos também mostravam coquetéis molotov e uma arma branca. Esse tema circulou em grupos de professores e se juntou à apreensão causada por ameaças registradas em outras universidades. No início da tarde, tive acesso às imagens e à informação de que haveria uma reunião envolvendo reitoria e diretores de centro. Desta reunião, saiu uma nota publicada nas redes sociais da Universidade falando das providências.

Eram elas:

. Primeiro, a Superintendência de Segurança Institucional estará vistoriando todos os espaços da Universidade e monitorando eventuais ações.

. Segundo, a vigilância terceirizada estará em alerta, circulando e controlando as entradas.

. Terceiro, será fechada a entrada do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA, no acesso à Caixa Econômica).

. Por fim, a Polícia Militar e a Polícia Federal foram contatadas, sendo demandadas a apoiar as ações de segurança e atuar no âmbito da UFPB.

Confira a nota da UFPB

https://www.instagram.com/p/Cq6MNxqJjyQ/?utm_source=ig_web_copy_link

Com base nisso, a matéria foi escrita. Estavam lá as fotos até então não desmentidas, a reunião para tratar do assunto e as providências. Com base nisso, o texto foi elaborado. Era pouca apuração? O tempo mostrou que sim e, por isso, as mais sinceras desculpas do blog. Porém, quando as fotos foram desmentidas e soubemos que as mesmas imagens foram usadas em vários estados, fizemos a correção devida, recuperando um pouco do que foi o início da história. Tudo em benefício da clareza. Houve erro e talvez a reparação dele não tenha sido suficiente, admitamos. Muitos outros blogs e sites também erraram no mesmo ponto.

O surpreendente, no entanto, foi o tom extremamente personalizado da nota emitida pela UFPB, assinada pelo reitor Valdiney Veloso. Ela não foi direcionada a todos que, induzidos ao erro, chegaram à mesma conclusão. Tinha estranhamente endereço certo: este espaço informativo. Talvez por causa de fatos passados publicados por aqui, a exemplo da decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que mandou a universidade excluir o reitor da lista de aprovados do Sisu, fazendo uso do sistema de cotas. Talvez por algum motivo outro.

Vejam o conteúdo da nota abaixo:

Nota de Repúdio

A Universidade Federal da Paraíba vem a público desmentir e repudiar perfis em redes sociais relacionados ao nome do Sr. Suetoni Souto Maior, que, irresponsavelmente, sem qualquer contato com a Universidade para checar a veracidade de fatos presumidos, no dia de hoje (11/04/2023) disseminaram mentiras e espalharam pânico e terror à comunidade universitária e população paraibana em geral ao mostrar fotos de armas e coquetéis molotov que, segundo propagaram, foram encontrados na instituição. Não houve qualquer registro desse tipo, não correspondendo tais fotos à UFPB. Rogamos que o Ministério Público Federal (MPF), em defesa do bem comum, apure esse tipo de conduta, propagando mentiras que apenas promovem uma cultura de ódio, gerando instabilidade em instituições públicas e pânico em pessoas que desejam trabalhar e estudar em paz. Importante, ainda, que a Polícia Federal investigue esse ato e outros correlatos de produção de mentiras, calúnias e difamação, conhecendo os propósitos reais dessas ações criminosas que atentam contra a sociedade em geral, as instituições públicas e os servidores no exercício de suas funções, como também descubra quem são, verdadeiramente, seus mandantes e financiadores.

Prof. Valdiney Gouveia, Reitor

Universidade Federal da Paraíba

O blog pede desculpas pela incorreção da informação dada no primeiro momento e que foi corrigida com brevidade neste espaço. Contudo, é importante dizer, estranha o personalismo da nota da UFPB sobre fato publicado por uma infinidade de sites e blogs.

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