Executivo
“Sobra de vacinas” para professores mostra que negacionismo atrapalha imunização
17/05/2021 13:58
Suetoni Souto Maior
Redução da idade atendida deve ocorrer de forma gradativa, diz prefeitura. Foto: Divulgação/ABr

A queda de braço entre os Ministérios Públicos Federal (MPF) e da Paraíba (MPPB) com a prefeitura de João Pessoa sobre a imunização dos professores escancara um outro problema: o negacionismo tem atrapalhado a vacinação. Quando falo em negacionismo, não me refiro aos órgãos de controle ou ao poder público municipal. Tem a ver com o fato de muitas das pessoas do grupo prioritário não terem comparecido aos locais de vacinação e, com isso, ter sobrado imunizantes para avanços sobre grupos posteriores no Plano Nacional de Imunização (PNI).

O assunto vem à tona porque tem havido uma discussão muito grande sobre como a Prefeitura de João Pessoa tem conseguido um ritmo forte de avanço na vacinação sobre os grupos seguintes no PNI. Me explico melhor. Enquanto os outros municípios vacinam o grupo das pessoas com comorbidade, a capital avança para moradores de rua e profissionais da educação. O próprio secretário executivo de Saúde do Estado, Daniel Beltrammi, demonstrou preocupação, justificando a posição com o argumento de que não veio para o Estado, ainda, vacina para professores.

Então qual é o segredo do avanço em João Pessoa? Esse questionamento foi feito por MPF e MPPB quando ingressaram com ação na Justiça Federal pedindo a suspensão da vacinação. O entendimento dos órgãos foi o de que se houver sobra de vacinas, ela deve ser redistribuída para que outros municípios possam avançar, também. Mas é muito claro o que tem acontecido. Em todos os grupos prioritários, muita gente tem deixado de buscar o imunizante. O principal motivo, lógico, é o negacionismo. Tem gente resistindo à campanha de vacinação.

Os números são mostrados na ação movida pela Procuradoria-Geral da República, em instância de recurso, contra a Prefeitura de João Pessoa. O vice-procurador Humberto Jacques alegou que muita gente do grupo prioritário que antecede os professores não foi imunizada ainda. Os dados são assustadores. Foram vacinadas 62% das pessoas com idades entre 60 e 64 anos, 58% das pessoas com comorbidades, 11% dos povos tradicionais e quilombolas, 8% das pessoas com deficiência permanente e 49% das pessoas com comorbidade. Os dados são do dia 14.

Até agora, 318,2 mil doses de vacinas foram aplicadas em João Pessoa, sendo 218,8 mil na primeira dose e 99,4 mil com a segunda dose. Em apenas um episódio houve queixa por falta de vacinas. Foi justamente na primeira vez que o Instiuto Butantan suspendeu o envio da CoronaVac por falta de insumos. Ou seja, se há vacinas disponíveis para avançar na vacinação sem que cheguem novas do governo federal para o grupo seguinte, então, lógico, isso ocorre porque muita gente tem deixado de se vacinar.

O problema é que esta resistência, comum em praticamete todas as campanhas de vacinação, tende a ter consequências muito graves em relação à Covid-19.

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