Legislativo
Ruralistas ligados a Bolsonaro se unem a petistas para aprovar reciprocidade em relação a tarifaço de Trump
01/04/2025 18:45

Suetoni Souto Maior

Congressistas são avaliados com base na produção legislativa. Foto: Divulgação

O Senado aprovou, nesta terça-feira (1º), o projeto que estabelece medidas de retaliação a barreiras comerciais impostas por outros países a produtos brasileiros. O PL 2.088/2023, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), foi inicialmente aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em caráter terminativo. Contudo, um movimento articulado por parlamentares do governo e da oposição levou a matéria ao Plenário, onde recebeu apoio unânime, sendo aprovada por 70 votos.

A surpreendente união entre ruralistas aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e senadores da base do governo Lula garantiu a celeridade na tramitação. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), apresentou um recurso para que o texto fosse votado com urgência, acelerando seu envio à Câmara dos Deputados. O senador destacou a importância de uma resposta rápida diante do iminente aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos, anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

A relatora da matéria, senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, reforçou a necessidade de o Brasil possuir mecanismos de defesa comercial, mesmo defendendo o diálogo como solução ideal para conflitos tarifários. “Este projeto é de interesse nacional e precisa ser aprovado com urgência para proteger nossos produtos”, afirmou.

O entendimento entre petistas e bolsonaristas foi exaltado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que celebrou o espírito de unidade em torno do projeto. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também ressaltou o princípio da reciprocidade como um dos pilares da diplomacia mundial.

Apesar da harmonia na votação, o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), fez críticas ao governo pela sua postura diante da questão tarifária, afirmando que a tramitação em Plenário deveria ser considerada uma excepcionalidade.

O texto aprovado prevê contramedidas que podem ser adotadas pelo Executivo em resposta a sanções comerciais contra o Brasil, incluindo a imposição de tributos sobre importações de bens e serviços, a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e a interrupção de direitos de propriedade intelectual. Também está prevista a realização de consultas diplomáticas para mitigar os impactos das barreiras comerciais.

A inesperada convergência entre parlamentares de espectros políticos opostos evidencia que, diante de ameaças ao agronegócio e à economia nacional, as diferenças partidárias podem ser momentaneamente deixadas de lado em nome de interesses comuns.

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