Legislativo
Relator da cassação de Zambelli se posiciona contra cassação e decide “julgar” Alexandre de Moraes
02/12/2025 19:18

Suetoni Souto Maior

A deputada Carla Zambelli postou, em 2022, foto de encontro com Walter Delgatti. — Foto: Reprodução/Twitter

Algo errado não está certo no Congresso Nacional. É verdade que o corporativismo no Poder é lendário. Mas o parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), relator do processo de cassação de Carla Zambelli (PL-SP), passou muitas jardas do ponto do ridículo. Ele declarou que não há provas contra ela e que o culpado pelos crimes, na verdade, é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado foi apontado por ele como juiz suspeito porque seria vítima e magistrado.

“Encontrei elementos que podem configurar perseguição”, disse. Sei que esquizofrenia é um mal muito comum atualmente (e não estou dizendo que o problema é esse), mas a conclusão do parlamentar foge em muito ao mundo da cognição racional. Até porque a Constituição não aponta Moraes como réu nem tampouco o Congresso como juiz do juiz. Além disso, a decisão do Supremo foi colegiada, expedida de forma unânime por todos os integrantes da Primeira Turma do STF, inclusive com voto de Luiz Fux.

E não custa lembrar o motivo das duas condenações que levaram Zambelli para a prisão na Itália depois de fugir do Brasil para evitar o xilindró. Ela coordenou a trama para a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), fazendo uso dos serviços do hacker Walter Delgatti, e perseguiu um homem armada na véspera das eleições de 2022. Os episódios renderam as condenações e o trânsito em julgado inclusive em relação à cassação do mandato.

Para defender seu ponto de vista, o relator atacou os juízes, fazendo julgamentos que não caberiam a ele. Também desqualificou Delgatti, chamando o hacker de “mentiroso contumaz”. Por mais que as conclusões sejam exdrúxulas, elas poderão ser referendadas pelo plenário para ter validade. São necessários 257 votos para cassar a deputada e os deputados vão decidir como querem ser lembrados pela história.

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