Legislativo
Rejeitado, Galdino põe o bode na sala do governo e pode gerar dissabores para João
15/01/2025 23:38

Suetoni Souto Maior

João Azevêdo e Adriano Galdino não têm se entendido sobre 2026. Foto: Divulgação

O presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos), decidiu colocar o bode na sala do governador João Azevêdo (PSB). Ele cobra uma definição do gestor em relação ao seu plano de disputa do comando do Palácio da Redenção no ano que vem. O parlamentar foi o primeiro a se lançar em campanha para e esperava a primazia no debate sobre a sucessão, uma coisa que dificilmente vai acontecer. Em entrevista ao jornalista Luís Torres, na TV Arapuan, na segunda, o governador disse o óbvio: se deixar o governo para disputar o Senado, o vice, Lucas Ribeiro (PP), terá todas as condições de disputar a reeleição.

Do ponto de vista político, a análise de João está corretíssima. Quem tem a caneta não costuma abrir mão da disputa. Isso só ocorre em casos de extrema impopularidade, como no caso de Michel Temer (MDB) ao final do governo. Na época, foi para o sacrifício o ex-ministro Henrique Meirelles. Aqui, a tendência é que Lucas dispute, a menos que uma conjuntura muito especial o faça abrir para o próprio Adriano Galdino ou mesmo, e principalmente, para o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP). Mas tudo isso é elocubração. O rito histórico diz que empossado governador, todo mundo disputa a reeleição.

O quadro de hoje mostra certo gigantismo da base governista. O Republicanos cresceu muito enquanto partido e tem peso, sim, para pleitear a disputa do governo. Da mesma forma, Cícero Lucena saiu fortalecido da disputa pela reeleição para a prefeitura de João Pessoa. Se não errar, chega forte no ano que vem. E Lucas terá o governo a seus pés em uma eventual disputa. O quadro contrário a isso seria João Azevêdo se manter no governo até o fim do mandato e sair da gestão com uma mão atrás da outra como fez Ricardo Coutinho (PT). E todo mundo lembra o que aconteceu.

Mas o que se tem para hoje é que o movimento de Galdino põe o governador em situação delicada. Pode ganhar um adversário poderoso nos anos finais da sua gestão. Isso é reflexo da perda precoce da expectativa de poder, que tende a migrar para o sucessor. O governador precisará usar de muita retórica para contornar a situação e evitar dissabores na Assembleia, onde o atual presidente fazia até um passado bem recente as vezes de rolo compressor em favor do Executivo. E se quiser resultado, João vai precisar correr com isso.

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