Executivo
‘Radicalização’ de Queiroga parece ter método: ser lembrado para vice na chapa de Bolsonaro em 2022
24/09/2021 13:17

Suetoni Souto Maior

Marcelo Queiroga (D) ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

Nos últimos dias, o noticiário político vem sendo tomado pela surpresa com as posições adotadas pelo ministro paraibano Marcelo Queiroga (Saúde). De uma figura ponderada e afeita a um discurso sob medida para agradar defensores da ciência, mas não melindrar os negacionistas, ele mudou para uma postura mais combativa e até radicalizada. Os episódios mais recentes envolveram a proibição da vacina para adolescentes, curtida em publicação sobre tratamento precoce e gestos obscenos para manifestantes em Nova Iorque. A postura tem feito com que alguns lembrem dele como nome para compor a chapa de Bolsonaro.

O caminho para qualquer figura ser aceita no staff bolsonarista não é simples. Os olhos do grupo só brilham para quem sustenta bandeiras à imagem e semelhança das abraçadas pelo presidente. Isso inclui a defesa de tratamento precoce contra a Covid-19, posição refratária ao que eles chamam de “risco comunista” e posição dura e muitas vezes intolerantes com os adversários políticos. É um figurino tal que o atual presidente Hamilton Mourão (PRTB) passou a ser visto como moderado demais para vesti-lo. O suplente, atualmente, é visto pelo presidente apenas como um cunhado inconveniente que não pode ser mandado embora.

Marcelo Queiroga, por sua biografia, era visto como um auxiliar importante, mas longe de preencher os requisitos para integrar o “clube”. A virada de chave ocorreu depois que ganhou o noticiário nacional o boato de que o ministro tinha pedido demissão. Isso ocorreu no início do mês. Naquela data, o dia 2, ele passou uma tarde em reunião com o presidente. Ao sair, adotou discurso mais duro em relação à imprensa e mais afeito à militância bolsonarista. O ato contínuo todo mundo sabe. Houve a promessa de desobrigar o uso de máscaras, suspensão de vacinação dos adolescentes e por aí vai.

A mudança de postura é similar ao que ocorre em relação aos juristas que têm esperança de serem indicados para uma das vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Augusto Aras, é constantemente acusado de ser leniente com as questões relacionadas ao governo. Outro que é apontado como simpático ao presidente é o ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ambos têm adotado posições que os críticos alegam ter como motivo a esperança de uma indicação para o Supremo.

No caso de Queiroga, desde que passou a assumir uma postura mais próxima à do presidente, o nome dele passou a circular de forma mais palatável entre os bolsonaristas. Se será lembrado para uma eventual indicação para vice, só o tempo dirá.

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