Executivo
Racha no PT versão 2024 já está disponível para o público
13/03/2023 15:09
Suetoni Souto Maior

O PT é autofágico. Essa é uma máxima simplista, mas comum nas discussões entre jornalistas especializados em política. A opinião é embasada em batalhas históricas, muitas vezes com prejuízo eleitoral para a sigla. Para a versão de 2024, de um lado estão os simpáticos ao diálogo com o prefeito Cícero Lucena (PP) visando as eleições do ano que vem. Do outro, aqueles que defendem a disputa da prefeitura em faixa própria, inclusive com a proibição para que petistas da capital integrem o governo municipal. A postura é considerada “erro grosseiro” pelo presidente estadual do partido, Jackson Macedo.

Para entender as brigas, é preciso lembrar algo que está na gênese do partido: o estímulo ao debate interno, de forma relativamente democrática. O ‘relativamente democrático’ usado na frase anterior se deve ao fato de o direcionamento nas cidades com mais de 200 mil habitantes, como é o caso de João Pessoa, precisar do referendo da instância nacional. Mas até que se chegue a este ponto, muita confusão passa por baixo desta ponde da discórdia criada entre os filiados. No fim de semana, por exemplo, o partido se antecipou à discussão da nacional e avisou que não comporá com Lucena.

A decisão contrariou o presidente estadual do partido, para quem o debate é precoce e ainda terá que ser submetido ao diretório comandado pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). Macedo, no entanto, diz que isso só vai ocorrer no ano que vem. Em conversa recente com o blog, ele disse ver a possibilidade de o presidente Lula (PT) estar no mesmo palanque de Cícero Lucena no ano que vem. A conjuntura é totalmente nova, já que ambos são adversários históricos. Essa costura poderia ficar a cargo do governador João Azevêdo, que é próximo de Cícero e apoiador do presidente.

Quem não tem gostado nada dessa aproximação é o deputado estadual Luciano Cartaxo (PP), também aliado de João e que nutre o desejo de disputar a prefeitura da capital, comandada por ele durante oito anos. O intento é compartilhado pela também deputada Cida Ramos; além do vereador de João Pessoa, Marcos Henriques, da suplente de deputada federal Estela Bezerra e da ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena. Em todos os casos, a palavra final realmente ficará por conta do diretório nacional. Agora, diga-se de passagem, mesmo com eventual decisão contrária nacional, a história mostra que a municipal se impõe.

Em 2020, por exemplo, o diretório municipal aprovou o lançamento da candidatura de Anísio Maia (ex-PT e hoje no PSB) para prefeito de João Pessoa, enquanto a nacional mandou retirar a candidatura e apoiar Ricardo Coutinho (ex-PSB e hoje no PT). No final das contas, a vontade da municipal foi mantida pela Justiça e Anísio foi candidato. Nenhum foi eleito. Anísio foi punido pelo partido e deixou a sigla para poder ser candidato a deputado pelo PSB, em 2022. O novo capítulo desta história, com estréia para 2024, já está sendo rodado e o desfecho parece ser o de sempre.

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