O PSDB e o MDB iniciam, nesta quarta-feira (29), conversas visando uma possível fusão. Os dois partidos já foram uma única sigla, separada há quase quatro décadas. A discussão agora ganhou força entre os tucanos por causa de pressões feitas pelo deputado federal Aécio Neves (MG) e enfrenta a resistência do presidente nacional da sigla, o ex-governador de Goiás, Marconi Perilo. Este último preferia um composição com o PSD, de Gilberto Kassab (SP). Na Paraíba, as duas siglas já atuam como parceiras desde o segundo turno das eleições de 2022.
Nas últimas semanas, as divergências entre os grupos de Aécio e Perillo se intensificaram. A proximidade com o PSD, atualmente na base do governo federal, desagrada Aécio, pois poderia dificultar seus planos de disputar uma vaga no Senado no próximo ano. Em Minas Gerais, seu reduto eleitoral, o PSD abriga figuras de peso, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Já Marconi Perillo tem como objetivo voltar ao governo de Goiás, mas no MDB enfrentaria a candidatura consolidada do vice-governador Daniel Vilela, aliado do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), um de seus principais adversários políticos. Em entrevista ao jornal O Globo, Perillo afirmou que as possibilidades ainda estão em análise e que mantém diálogo com outras siglas, como Solidariedade e Podemos.
Procurado pelo blog, o senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (MDB) disse desconhecer a reunião desta quarta.
Fusão pode frear debandada
Com recursos financeiros e tempo de TV atrativos, o PSD vinha negociando com governadores tucanos que buscam reeleição em 2026, como Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul). Nesse cenário, a possibilidade de fusão entre PSDB e MDB pode interromper os convites que vinham sendo feitos a ambos.
Embora Lyra e Riedel ainda não tenham anunciado oficialmente suas saídas do PSDB, estavam sendo cortejados e não descartavam mudar de partido. Agora, aguardam o desfecho das negociações.
No caso de Raquel Lyra, uma eventual saída do PSDB poderia abrir caminho para uma reaproximação com o presidente Lula (PT), de quem seu partido é opositor. A fusão entre PSDB e MDB poderia influenciar essa dinâmica, especialmente se levasse a nova federação para a base governista. Caso contrário, Lyra manteria o impasse, já que seu objetivo é reduzir a influência do prefeito João Campos (PSB) junto ao governo federal, pensando na disputa pelo governo pernambucano.
Como MDB e PSD fazem parte da base governista, a tendência é que a fusão tire o PSDB da oposição, o que resolveria os dilemas de Lyra e Riedel.
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