Judiciário
Prisão ajuda Jefferson a virar ícone do bolsonarismo e sonhar com eleição
13/08/2021 15:55
Suetoni Souto Maior
Para agradar ala mais radical do bolsonarismo, Jefferson gravou vídeo com armas e ameaças. Foto: Divulgação

Quem conhece a história do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) terá dificuldade de encontrar um escândalo no Brasil que ele não tenha se envolvido. Também terá dificuldade de enxergar um governante de plantão ao qual ele não tenha conseguido se aproximar e vestir o figurino. Desde de o ano passado, a vestimenta adotada tem sido a de mais fiel entre os bolsonaristas. A ponto de ameaçar as instituições e empunhar armas, mas sem vencer a desconfiança da militância que dá sustentação ao presidente. Isso até esta sexta-feira (13).

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de mandar prender o ex-deputado tem provocado uma rede de solidariedade ao ex-parlamentar. Nas redes sociais, muitos aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm saído em defesa dele. Dois motivos foram usados para isso: o entendimento de muitos juristas de que a prisão foi ilegal e a antipatia natural dos bolsonaristas por Moraes. Foi ele quem mandou prender, também, o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ).

Roberto Jeffesson foi apontado pelo Supremo como membro de uma “possível organização criminosa” que busca “desestabilizar as instituições republicanas”. Ele ocuparia, segundo Alexandre de Moraes, espaço no núcleo político do grupo, “que tem por um de seus fins desestabilizar as instituições republicanas, principalmente aquelas que possam contrapor-se de forma constitucionalmente prevista a atos ilegais ou inconstitucionais, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio Congresso Nacional”.

Entre os juristas, cresce a acusação de que apesar da gravidade das acusações, não caberia ao Supremo o papel de denunciar, investigar e punir os suspeitos. Lógico que há uma flagrante falta de ação do procurador-geral da União, Augusto Aras. Aliado do presidente, Aras tem sido constantemente cobrado pelos ministros do Supremo a se posicionar sobre as acusações quando provocado em relação ao governo e seus aliados.

No mandado que autorizou a prisão de Jefferson, o ministro Alexandre de Moraes disse também que o ex-deputado publicou manifestações em suas redes sociais que continham “discursos de ódio” e comentários “homofóbicos”, os quais se destinavam a ministros do Supremo e a “corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito”.

“As manifestações, discursos de ódio e homofóbicos e a incitação à violência não se dirigiram somente a diversos Ministros da CORTE, chamados pelos mais absurdos nomes, ofendidos pelas mais abjetas declarações, mas também se destinaram a corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito”, diz o documento.

A prisão de Roberto Jefferson agora consolida o figurino construído por ele nos últimos anos, de figura alinhada com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro. É o cara que pega um fuzil e diz que vai enfrentar os comunistas, como se eles fossem encontrados em toda esquina no Brasil. O típico falastrão, mas que tem visto as fileiras bolsonaristas como tábua de salvação política. A tendência agora, quando ele deixar a prisão, será radicalizar o discurso ainda mais e tentar colher os louros na eleição do ano que vem.

Se não conseguir ou se conseguir, o certo é que o figurino será mantido ou mudará dependendo de quem esteja sentado na cadeira presidencial. Sobre a prisão, essa não foi a primeira e possivelmente não será a última vez que ele passa pelo xilindró…

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