Legislativo
Pressão bolsonarista por anistia dá de cara com porta fechada por Hugo Motta
06/08/2025 07:13

Suetoni Souto Maior

Davi Alcolumbre e Hugo Motta têm adotado posições divergentes no Congresso. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse em entrevista a O Globo que a estratégia dele de intermediar sanções ao Brasil em prol da liberdade do pai terá 100% de vitória ou 100% de derrota. Não haverá meio-termo. E uma das frentes é a pressão sobre o Congresso Nacional, para que seja pautada uma anistia ampla, geral e irrestrita para os acusados de envolvimento na trama golpista que tentava impedir a posse do presidente Lula (PT). Mas se depender do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a derrota precisará ser colocada nesta conta.

O paraibano deu entrevistas nesta terça-feira (5), em João Pessoa, dizendo que não vai ceder à pressão dos bolsonaristas pela votação da matéria. Ameaçou, entre outras coisas, o uso do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa após ameaça do vice-presidente do Legislativo, Altineu Côrtes (PL-RJ). O suplente afirmou, em entrevitas, também nesta terça, que vai pautar a anistia em qualquer momento que Motta não estiver na cadeira de comando da Casa. Em resposta, o parlamentar paraibano determinou a suspensão de todas as sessões da Câmara dos Deputados.

O fato é que o paraibano foi eleito com os votos dos bolsonaristas e dos petistas para o comando da Câmara dos Deputados e, desde que assumiu o cargo, não tem reagido bem às pressões de um lado nem do outro. Neste primeiro semestre, impôs derrotas e entregou conquistas a um lado e ao outro. Quando pressionado, como o foi pelos petistas, trabalhou para tratorar o governo. E agora, pressionado pelos bolsonaristas, tende a não entregar nada e ignorar as ameaças até de perda do visto para entrar nos Estados Unidos, feita por Eduardo Bolsonaro a todos os opositores.

Neste enfrentamento, o paraibano anda de mãos dadas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nenhum dos dois querem dar vazão às ameaças feitas pelos bolsonaristas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste sentido, a postura de Motta tende a ser bem diferente da de outro paraibano, o senador Efraim Moraes (União Brasil). O parlamentar assinou o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator das ações que têm Bolsonaro como alvo. Isso porque o senador pretende disputar o governo do Estado, no ano que vem, com o apoio dos bolsonaristas.

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