Executivo
Presidente do PT ironiza apoio de João Azevêdo a Lula, mas dificilmente ex-presidente rejeitará aliança no Estado
10/01/2022 14:04
Suetoni Souto Maior
Lula e João Azevêdo durante evento do Consórcio Nordeste em Natal. Foto: Divulgação

O governador João Azevêdo (Cidadania) tem insistido na oferta de apoio para a candidatura do ex-presidente Lula (PT) neste ano. Há quem diga até que o gestor poderia mudar de sigla, caso o partido dele feche a criação de federação com PSDB ou Podemos. As duas siglas têm pré-candidaturas sendo trabalhadas no contexto nacional em oposição ao petista. Os tucanos querem ver o governador de São Paulo, João Dória, como nome da terceira via. Já o Podemos trabalha a pré-candidatura do ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro. Nos três casos, o cenário é difícil para o governador.

A dificuldade da aliança de João com o PT é a hostilidade de algumas das lideranças que retornaram ao partido. A lista é puxada pelo ex-governador Ricardo Coutinho (ex-PSB). Ele foi o padrinho político de João Azevêdo na campanha de 2018, mas passados três anos com uma operação Calvário no meio, a relação passou a ser de adversários. Situação parecida pode ser dita em relação ao ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (ex-PV). O primeiro sonha com o Senado e o segundo com a disputa para o governo. Ambos demonstram desconforto com a proximidade de João Azevêdo.

O presidente estadual do PT, Jackson Macedo, tem ironizado a tentativa do governador de ter o apoio de Lula. A sigla, ou parte dela, trabalha por candidatura própria ou pelo apoio a uma eventual candidatura da atual vice-goverandora Lígia Feliciano (PDT). Fala-se até que o deputado federal Damião Feliciano poderia se filiar ao PT. O esforço, no entanto, não envolve toda a militância. Uma parte significativa do partido quer o apoio a João Azevêdo. Entre eles, está o deputado estadual Anísio Maia. Ele chegou a ser candidato a prefeito contra Ricardo e a candidata de Luciano Cataxo na disputa de 2020.

Por tradição, Lula não rejeita apoio de candidatos com quem tenha convergência. Em 2006, por exemplo, esteve nos palanques de Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB) e pediu votos em Pernambuco para os dois. No fim de semana, o deputado estadual Adriano Galdino (PSB) conversou com o ex-ministro José Dirceu, que é próximo a Lula. Ele defendeu a aproximiação dos dois políticos. A menos que algo de muito estranho ocorra, o candidato petista estará no palanque de João e de quem mais vier. A surpresa será ocorrer coisa diferente.

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