Executivo
Prefeito de Campina Grande contraria Estado e MP e abole uso de máscaras em vias públicas. E não será o único
12/03/2022 12:04
Suetoni Souto Maior
Uso de máscaras é opcional em João Pessoa nas áreas abertas. Foto: Jonathan Lins/Agência Alagoas

O prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), assinou decreto municipal publicado neste fim de semana liberando o uso de máscaras de proteção facial em ambientes abertos. A decisão contraria recomendação expedida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e o decreto editado pelo governador João Azevêdo (PSB). Ele segue o movimento inaugurado pelo prefeito de Princesa Isabel, Ricardo Pereira (Cidadania), e que deverá servir de parâmetros para outros gestores nos próximos dias. Em linha de concordância estão o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), e o de Cabedelo, Vítor Hugo (DEM).

A movimentação dos prefeitos na direção da retirada das máscaras nos ambientes abertos tem uma razão de ser: eles acompanham o que tem ocorrido no plano nacional, em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, além de praticamente todas as capitais. O motivo disso é o grau de vacinados, com a Paraíba ocupando a terceira colocação no país (mais de 80%), e, principalmente, a recente redução dos casos de internamentos e mortes em decorrência da pandemia da Covid-19. Os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ocupados, atualmente, correspondem a 22% do total e houve dias sem nenhum internamento neste mês.

O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, sinalizou na direção de flexibilização do uso de máscaras no próximo decreto, que será editado no dia 18. De acordo com o prefeito, a atual realidade da pandemia da Covid-19 em João Pessoa possibilita a medida, com 25% dos leitos de UTI e 10% dos leitos de enfermaria ocupados. Os outros municípios devem seguir no mesmo sentido, com a manutenção da exigência em ambientes fechados, como lojas, escritórios e transporte público. Deve haver flexibilização também em relação a festas e outras questões.

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Medeiros, discorda das flexibilizações. Em mensagem enviada ao blog, o auxiliar do governador João Azevêdo pede cautela em relação ao que chamou de precipitação das flexibilizações. Ele apresentou quadros que mostram os estados que decidiram abolir as máscaras e o efeito disso no crescimento da média móvel de contaminações. A lista inclui a Bahia, o Rio de Janeiro, e o Mato Grosso. Os gráficos mostram que o recorte da média móvel dos últimos sete dias registra crescimento nas contaminações nestes estados, enquanto o recorte de 14 dias mostravam queda.

Apesar da leitura correta dos sanitaristas, dificilmente os argumentos vão convencer os gestores municipais neste momento em que a pressão popular por mais “normalidade” se eleva. Desde o início da pandemia, foram mais de 10 mil mortes na Paraíba. Mesmo com isso, a tendência é que até o mês que vem, se os dados continuarem baixos, todos flexibilizem. A proteção, então, vai depender da avaliação de cada um. Eu mesmo vou continuar usando a minha máscara.

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