Executivo
Posse de prefeitos, vices, vereadores e largada para 2026 na Paraíba. Quem leva a melhor?
01/01/2025 09:45

Suetoni Souto Maior

O Palácio da Redenção é a sede do governo da Paraíba. Foto: Divulgação

Esta quarta-feira (1º de janeiro) será marcada por atos festivos de posse de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores pelo estado afora. Serão 223 gestores assumindo o comando nos municípios, sendo que 107 deles não são neófitos, foram reeleitos no pleito de 2024. E a regra, agora, como manda o calendário político é o trabalho visando as eleições de 2026. Neste caso, encampados por candidatos a candidatos às vagas de governador, vice, senador e deputados estadual e federal. E nesta briga de cachorro grande, será importante observar os movimentos do governador João Azevêdo (PSB) e seus opositores.

Depois de um tempo relativamente longo de inanição, os adversários do governo ensaiaram um movimento visando a disputa eleitoral de 2026. Em foto que circulou após confraternização ocorrida no dia 23, figuras como o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o ex-senador Efraim Morais (União) dividiram espaço com potenciais candidatos como Pedro Cunha Lima (PSDB) e o senador Efraim Filho (União). Lá estavam também o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e os deputados bolsonaristas Cabo Gilberto (federal) e Wallber Virgolino (estadual).

O grupo tem esperanças de melhor sorte nas eleições de 26. Em 2022, a desacreditada candidatura de Pedro Cunha Lima ganhou musculatura na reta final do segundo turno. A reeleição de João Azevêdo, na época, foi conquistada com pequena vantagem (52,51% a 47,49%), garantida nas pequenas cidades. Um quadro que tem enchido de esperanças os opositores, que acreditam em sorte melhor no próximo pleito. A grande dificuldade continua sendo o alinhamento entre tucanos e a ala bolsonarista. Os dois grupos (de direita e extrema-direita) couberam numa foto, mas dificilmente se encaixarão em uma chapa. Não no primeiro turno.

Por outro lado, qualquer movimento da oposição vai depender de como João Azevêdo vai se postar no tabuleiro político de 26. Ele permanece até o fim do mandato? Renuncia para disputar o Senado? Saber deste posicionamento é vital para governistas e adversários. Se João ficar, dará as cartas na escolha do candidato governista. Caso saia, dificilmente alguém vai tirar o protagonismo do vice, Lucas Ribeiro (PP). Com a caneta de governador, cheia de tinta, ele trabalhará pela reeleição. Ao assumir interinamente o cargo, recentemente, Luca brincou se classificando como “governador em aquecimento”.

Se João ficar, há quem fale no lançamento de Deusdete Queiroga como candidato, o que não parece uma tarefa simples. O Republicanos, que se tornou o partido mais poderoso da Paraíba, dificilmente aceitará. A sigla antes trabalhava o nome do deputado federal Hugo Motta como potencial candidato ao cargo, mas com o parlamentar prestes a assumir a Presidência da Câmara, essa possibilidade perdeu força. Sobrou para o presidente da Assembleia, Adriano Galdino, pleitear o espaço. É uma tarefa fácil? Não é, mas não dá para subestimar o potencial da sigla. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), também não pode ser ignorado.

A tarefa mais difícil para os governistas, assim como para a oposição, será alinhar os interesses dos grupos que compõem o governo. Não há dúvidas de que haverá traição, caso não haja um bom trabalho de “acomodação”. Além da sonhada cadeira no Palácio da Redenção, haverá, na chapa, espaços para vice, duas vagas de senador e quatro suplências. Até parece muito, mas alguns destes espaços são facilmente confundidos como prêmios de consolação. As três vagas que surgirão no Tribunal de Contas do Estado (TCE) também devem virar moedas de troca.

No âmbito geral, é importante lembrar também que além da boa relação com lideranças paroquiais, das prefeituras, das Câmaras e da Assembleia, os potenciais candidatos estarão atentos ao quadro nacional. O presidente Lula (PT) será candidato à reeleição? Isso vai depender das condições de saúde dele, mas também da avaliação de governo. O gestor, dizem as pesquisas, venceria qualquer adversário hoje, mas o carro ainda está em movimento. Se o bolsonarismo se concentrar em torno de um candidato competitivo, o quadro tende a ser de polarização mais uma vez.

Nesta caminhada para 2026, o ano que se inicia será importante para a construção destes projetos políticos. A conferir.

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