Judiciário
Pedras de Fogo: passado um ano, ninguém foi punido pelo assassinato de Abson Matos
05/08/2021 11:05
Suetoni Souto Maior
Abson Matos foi morto dentro do estabelecimento comercial dele no dia 5 de agosto do ano passado. Foto: Divulgação

O Brasil não é para principiantes, disse certa vez o cantor e compositor Tom Jobim. A frase cabe como uma luva quando o assunto diz respeito a impunidade. Se hoje o questionamento sobre “quem mandou matar Marielle Franco”, a vereadora assinada no Rio de Janeiro em 2018, inquieta o país, o mesmo ocorre no município de Pedras de Fogo. Afinal, quem mandou encomendou e quem matou o empresário Abson Matos? Ninguém sabe responder a esse questionamento no dia em que se completa um ano da morte. Restam suspeitas de crime político, mas sem comprovação.

Abson Matos era conhecido por sua insistência nas denúncias contra o então prefeito de Pedras de Fogo, Dedé Romão. Antes de ser morto, dizia que estava sendo ameaçado e que seria assassinado. Abson foi executado com vários tiros na cabeça no dia 5 de agosto do ano passado, dentro do seu estabelecimento comercial, localizado na Rua das Turmalinas, em Itambé. A cidade fica nos limites de Pedras de Fogo. A rua, vale ressaltar, divide as duas cidades e os estados da Paraíba e de Pernambuco.

Na época do crime, o então delegado de Pedras de Fogo, Paulo Martins, declarou, em entrevista à imprensa local que o crime teve motivações políticas. “A meu ver esse crime foi no meio político. Não estou formando opinião. Apenas eu acho que foi um crime político”, declarou. Ele confirmou que Abson Matos fez denúncias contra o poder público local, devido ao suposto uso de máquinas da prefeitura de Pedras de Fogo para o beneficiamento de terrenos privados.

Abson Matos ficou conhecido no município por participar de diversos programas de rádio e de TV denunciando supostas irregularidades na prefeitura de Pedras de Fogo. Ele também era bastante conhecido por ter criado o slogan “Bomba, Bomba” e divulgar áudios em grupos Whatsapp com acusações contra Dedé Romão e seu grupo, entre eles o presidente da Câmara de Vereadores, Ninho da Mangueira. Vale ressaltar que apesar dos indícios, as investigações ainda não apontaram os responsáveis pelo crime.

Seja quem forem os responsáveis, se crime político ou não, é importante que não se complete dois aniversários sem resposta para as pessoas da cidade. Afinal, quem mandou e quem matou Abson Matos?

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