Legislativo
Pazuello será a dor de cabeça do governo na CPI da Pandemia
03/05/2021 11:52
Suetoni Souto Maior
Eduardo Pazuello, ao fundo, durante a posse de Marcelo Queiroga. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ponto de partida da CPI da Pandemia, no Senado, será a oitiva de dois ex-ministros da Saúde nesta terça-feira (3). Os senadores vão ouvir Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Apesar de esperados, pouco será acrescentado pelos dois na Comissão Parlamentar de Inquérito. A expectativa maior fica para o segundo dia de trabalho da comissão, nesta semana, com a participação quarta-feira do general Eduardo Pazuello, o ministro mais longevo durante a pandemia.

Muito claramente, o governo joga em duas vertentes. A primeira é posta em prática pelo atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Diante da falta de vacinas para manter o calendário nacional de imunização em dia, ele joga a responsabilidade para o antecessor. O passivo do atraso da vacina é debitado na conta de Pazuello, apesar de ele ter cumprido ordens do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em praticamente todas as ações e omissões. Queiroga culpa apenas o atentecessor.

E é fácil fazer isso. Até por que encontrar erros de Pazuello durante a condução do ministério mais importante do governo durante a pandemia não exige esforço algum. Queiroga criticou um dos últimos atos dele, o de orientar prefeitos e governadores a não guardarem a segunda dose da vacina. Outro foi não comprar as vacinas de forma antecipada. E teve ainda o escândalo da falta de oxigênio em Manaus (AM) combatida com cloroquina.

Para piorar, o ex-secretário Especial de Comunicação Social do governo, Fábio Wajngarten, deu declarações muito graves sobre o ex-ministro em entrevista à revista Veja. Ele classificou o ex-colega de governo de incompetente. Os últimos acontecimentos jogaram o Executivo nas cordas, principalmente com a morte e mais de 400 mil pessoas. E até quando busca reagir o governo erra. O episódio das 23 questões elaboradas pela Casa Civil para formular a defesa na CPI gerou mais desgastes. Quando o assunto vazou, os pontos elencados pareceram confissão.

O outro movimento traçado pelo Planalto tem sido municiar o general Pazuello para o confronto previsto na CPI. De acordo com informações de O Globo, ele tem recebido orientações sobre como responder aos questionamentos dos senadores. Da última vez que o ex-ministro foi ao Congresso para responder perguntas dos parlamentares disse que o Nordeste ficava no Hemisfério Norte. Não será uma missão fácil. Para resumir, o mais simples será jogar a culpa no ex-auxiliar do governo.

Outros ministros

A CPI da Pandemia pode votar a partir da próxima semana a convocação de cinco ministros de Estado, quatro governadores, quatro prefeitos, 13 secretários estaduais e municipais de saúde e um integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 209 requerimentos que ainda aguardam deliberação do colegiado, 134 são pedidos de convocação. Outros 73 são de convite e apenas dois de informações.

Os parlamentares sugerem a convocação dos ministros Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa e ex-Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil e ex-Secretaria de Governo), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). O ministro Wagner Rosário, da Controladoria Geral da União (CGU), é chamado a depor em um pedido de convite. Há ainda requerimentos para a convocação do ex-ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

A CPI da Pandemia pode votar ainda a convocação dos governadores João Doria (São Paulo), Wilson Lima (Amazonas), Rui Costa (Bahia) e Hélder Barbalho (Pará). Wellington Dias (Piauí) é convidado como representante do Fórum de Governadores.

O prefeito de Manaus (AM), David Almeida, é alvo de três requerimentos. Além dele, há pedidos para a convocação dos gestores de Chapecó (SC), João Rodrigues; Ilha Bela (RJ), Toninho Colucci; e São Lourenço (MG), Walter Lessa. Outro requerimento pede a convocação do ex-prefeito de Fortaleza (CE), Roberto Cláudio.

A CPI da Pandemia pode votar ainda a convocação dos secretários estaduais de Saúde de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte. Além deles, podem ser convocadas a depor as gestoras municipais de Saúde de Manaus e de Porto Seguro (BA). Há ainda requerimentos para a convocação de ex-secretários do Amazonas, do Distrito Federal e de Fortaleza.

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