Legislativo
Parceiro na venda de vacina ao governo se chama Aldebaran e acredita ser Superman
03/08/2021 17:37
Suetoni Souto Maior
Senador Jean Paul exibe foto de Aldebaran durante sessão na CPI. Foto: Reprodução/Senado

Quem assistiu ao depoimento do reverendo Amilton Gomes de Paula, na CPI da Pandemia, no Senado, nesta terça-feira (3), deve ter tomado um susto daqueles. Os senadores descobriram entre os parceiros do religioso na tentativa de venda superfaturada de vacinas ao Ministério da Saúde um tal Aldebaran von Holleben. O fato de o primeiro nome ser o de um planeta da constelação de Touro aclamado por ufólogos é só o prato de entrada. O mais incrível é que o parceiro da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), comanda por Amilton, acredita ser o Superman.

O fato foi exposto pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN) durante o depoimento de Amilton de Paula no Senado. “O senhor conhece o Aldebaran, esse Aldebaran von Holleben?”, questionou o senador. O reverendo respondeu: “Nós… Assim, conhecer para estar conversando, não”. E depois: “Nós temos uma parceria em nível…”, mas foi interrompido. E a conversa que beirava um papo de bêbados teve sequência com a explicação de que o tal parceiro do reverendo na venda de vacinas briga na Justiça para ser reconhecido como herdeiro dos “poderes” do ator Christopher Reeve.

“Esse senhor, Aldebaran Luiz von Holleben, ele é tão sério que ele se põe como Superman tupiniquim, entrou na Justiça para conseguir o direito legítimo de ser reconhecido como Superman (…) Está aqui… O senhor conhece esse homem? É o Superman”, disse o senador, expondo uma foto no celular. A imagem é de uma matéria publicada no jornal Correio da Bahia, que conta a “aventura” do advogado paranaense que busca o reconhecimento do seus “poderes”.

Aldebaran é o presidente da United Nations Mission of International Relations (UNMIR), entidade parceira da Senah. Diante da exposição e virtualmente constrangido com a situação, o reverendo Amilton Gomes de Paula disse ter errado em ter associado as logomarcas das entidades, entre elas a UNMIR, no negócio de venda de vacinas. Ele também admitiu que não tinha autoridade para usar a logomarca da Organização das Nações Unidas (ONU) como logomarca para os seus negócios.

“O cara pega o brasão da ONU, coloca uma entidade que não é a ONU, e aí ele autoriza outra entidade no mundo afora a usar aquele brasão que não é da ONU, mas emula um brasão da ONU, ou seja, além da falsidade ideológica, há o intuito devidamente de enganar mesmo. Então, é estelionato puro. Nós estamos diante de falsários e estelionatários que tentam enganar incautos na administração pública e/ou beneficiar espertos e oportunistas”.

O reverendo é considerado uma peça-chave na investigação da CPI, que tenta esclarecer como o governo brasileiro negociou a aquisição de imunizantes por meio de intermediários. Amilton Gomes participou de negociação para a venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, em um momento de escassez de doses de imunizantes em todo o mundo.

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