Executivo
Paraíba: política contamina debate sobre reajustes de policiais e há quem não descarte risco de motim
08/01/2022 17:24
Suetoni Souto Maior
Policiais Militares têm rejeitado os plantões nos fins de semana em protesto contra o governo. Foto: Divulgação/Secom-PB

“Os movimentos gestados na polícia a gente sabe como começam, mas ninguém nunca sabe como terminam”. A observação foi feita por um coronel reformado em conversa com o blog, em resposta a um questionamento sobre risco de motim na Paraíba. Os policiais militares e bombeiros iniciaram no fim do ano passado um movimento visando a compensação de persas salariais, bem como a incorporação de benefícios para inativos. O movimento perdeu força após uma contrapartida do governo do Estado com propostas vistas como positivas em um primeiro momento, mas que se tornaram fonte de questionamentos posteriormente.

O principal líder do movimento dos policiais tem sido o deputado Cabo Gilberto (PSL), com a participação também do comunicador Nilvan Ferreira (PTB). Ambos são pré-candidatos ao governo do Estado. A favor do movimento tem pesado a insatisfação da tropa com o resultado da votação da Lei de Proteção Social aprovada na Assembleia Legislativa no ano passado. A queixa dos fardados é que ela não prevê a paridade e integralidade nos vencimentos do pessoal inativo com os da ativa. Ou seja, ao ir para a inatividade, o policial perde hoje mais de 40% dos vencimentos.

Este tem sido um tema constante na mesa das negociações. Num primeiro momento, o governador João Azevêdo (Cidadania) apresentou a proposta de incorporação de 80% do programa Bolsa Desempenho para os inativos, além de 10% de reajuste linear para PMs, Bombeiros, Policiais Civis e Agentes Carcerários. Houve recusa da tropa e o governo elevou a proposta para 100% em quatro anos, além de benefícios relacionados aos plantões e vale refeição. Outros pontos foram apresentados como vantagem, a ponto de várias lideranças darem como certo um acordo.

Acontece que as discussões de bastidores têm jogado para longe a possibilidade de um acordo. A guerra de narrativas tem sido travada por meio das redes sociais, com vídeos gravados por lideranças favoráveis e contrárias à proposta do governo. O cabo Gilberto gravou áudio orientando os policiais militares a não aceitarem os plantões e entregarem os cargos. Outros, mais próximos ao governo, defendem o que consideram avanços nas propostas do gestor. Uma nova reunião das lideranças militares vai acontecer neste sábado (8), quando será tirada a posição que será apresentada ao governador na reunião de segunda-feira (10).

A história recente tem mostrado um acirramento grande entre as categorias ligadas aos policiais militares e os governos, principalmente em estados geridos por adversários do presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso mais trágico ocorreu no Ceará há dois anos, quando policiais amotinados entraram em confronto com o senador Cid Gomes (PDT). O parlamentar levou um tiro e o movimento saiu do controle. O risco de o mesmo ocorrer por aqui existe, o que aumenta a responsabilidade dos responsáveis pelas negociações. Por isso, a hora é de retirar a política eleitoral do debate, serenar os ânimos e buscar o entendimento.

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