Judiciário
Operação Calvário: documentário de Bertrand Lira mostra efeitos pessoais e eleitorais da prisão de Márcia Lucena
23/11/2021 07:08
Suetoni Souto Maior
Márcia Lucena foi presa em dezembro de 2019. Foto: Divulgação

A ex-prefeita do Conde, município da Região Metropolitana de João Pessoa, Márcia Lucena, iniciou nesta semana a divulgação do documentário “Calvário”. A obra é dirigida e produzida pelo cineasta paraibano Bertrand Lira e conta a história recente da ex-gestora. Notadamente, o episódio que envolveu a prisão dela na operação Calvário, fruto de investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB). O filme mostra como aquele episódio impactou a vida pessoal e também os seus efeitos eleitorais.

O lançamento vai ocorrer no dia 25, às 19h, no Sindicato dos Bancários, em João Pessoa, e contará com a presença da própria Márcia Lucena. E antes que alguém ache que isso seria óbvio, é bom lembrar que até bem pouco tempo ela não teria condições de se deslocar até João Pessoa. Isso porque as medidas cautelares diversas da prisão impostas contra ela previam, entre outras coisas, que a ex-gestora não poderia se ausentar da Comarca do Conde sem autorização judicial e não poderia estar fora de casa depois das 20h. Um recurso recentemente atendido pela Justiça permitiu a flexibilização destas medidas.

Márcia foi presa no dia 18 de dezembro de 2019 sob a acusação de integrar uma suposta organização criminosa que teria sido comandada pelo ex-governador Ricardo Coutinho. No documentário, ela narra a surpresa que teve ao receber a polícia federal em casa, no dia da prisão. Ela conta que nunca foi ouvida pela Justiça e questiona as provas apresentadas pelo Ministério Público. “Que crimes eu cometi?”, questiona a ex-prefeita, alegando que foi presa com base em delações de pessoas presas em outras fases da operação e que até agora não teve a chance de ser ouvida.

O filme, regado de poesias compostas pela própria Márcia, mostra ainda o efeito que a prisão e as medidas cautelares tiveram na campanha. Ela até hoje usa tornozeleira eletrônica e diz sofrer um processo de desqualificação desde que assumiu a prefeitura, em 2017. Conta ainda que foi tratada como bandida pelos adversários durante a campanha eleitoral, vencida por Karla Pimentel. O documentário tem 35 minutos de duração e mescla os depoimentos de Márcia com imagens do cotidiano praticamente restrito à vida em uma granja localizada no Conde.

Em conversa com o blog, Bertrand Lira disse que procurou não fazer juízo, no filme, sobre a instituição Ministério Público. Sobre a Calvário, pessoalmente, ele considera uma pequena Lava Jato.

Operação Calvário

A Operação Calvário foi desencadeada nos primeiros meses de 2019. Durante suas 23 fases, foram contabilizadas 145 denúncias contra agentes públicos, empresários e empresas. Eles teriam sido responsáveis por algo em torno de R$ 373,9 milhões em desvios de recursos dos cofres do governo da Paraíba entre 2011 e 2018. Os contratos sob os quais teria havido os desvios foram nas áreas de saúde e educação. O ex-governador Ricardo Coutinho (PT) é apontado como o líder da suposta organização criminosa que teria atuado na administração pública com o fim de desviar recursos do erário.

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