A semana será decisiva para a política paraibana, com as prováveis renúncias do governador João Azevêdo (PSB) e do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Ambos fazem planos de disputar as eleições deste ano e abrirão espaços para as posses dos respectivos vices, Lucas Ribeiro (PP) e Léo Bezerra (PSB). João disputará o Senado e Cícero, o governo do Estado. Da mesma forma, serão decisivos os papéis dos vices com as vagas abertas pelas saída dos titulares. Os desafios são administrativos, mas sobretudo eleitorais, por causa dos projetos políticos dos respectivos blocos nos quais ambos estão inseridos.
Lucas Ribeiro faz planos de disputar a reeleição, em outubro. Para isso, herda de João Azevêdo um governo com as contas em dia, mas sobretudo um bloco político muito forte. Terá pela frente, porém, a tarefa de se tornar mais conhecido. Hoje, o gestor é capaz de atravessar o Mercado Central, em João Pessoa, sem chamar muita atenção dos populares. Isso tende a ser superado com a exposição que terá enquanto governador do Estado. Vai estar nas inaugurações pelo menos até 3 de julho (quando a participação passa a ser vedada pela Justiça Eleitoral).
Não raro, figuras proeminentes do governo fazem prognósticos de que Lucas Ribeiro vai superar o prefeito Cícero Lucena nas pesquisas antes do meio do ano. As previsões têm muito a ver com retórica partidária e fazem parte do jogo. Neste sentido tem as apostas feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e até do deputado Eduardo Carneiro (PP). Este último chegou a ser desafiado por um deputado aliado a Cícero. Felipe Leitão (Republicanos) disse que não disputaria a reeleição se o prefeito da capital fosse superado até o meio do ano por Lucas e desafiou Carneiro a fazer o mesmo, caso este prognóstico não se concretizasse. Carneiro não aceitou.
Da mesma forma, Léo Bezerra ganhará projeção ao assumir o comando da prefeitura. Ele vai trabalhar primeiro pela eleição de Cícero para o governo e depois para o próprio plano eleitoral. A vantagem do vice-prefeito em relação a Lucas é que ele terá um tempo maior para tentar consolidar o projeto pessoal. Afinal, a eleição para prefeito só vai acontecer em outubro de 2028, tempo suficiente para que ele consolide o seu plano eleitoral. Bezerra tem dito nos bastidores que vai manter o trabalho desenvolvido por Cícero na capital, mas sobretudo trabalhar pelo pelo plano eleitoral do atual gestor.
A transmissão de cargo de João para Lucas e de Cícero para Léo ocorre nesta quinta-feira, dois dias antes do prazo final. E isso vai acontecer apesar da ‘mise en scene’ feita pelo prefeito da capital, dando a entender que poderia não sair. Quem tem acompanhado de perto este debate garante que o rio seguirá o seu curso. A conferir.
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