Executivo
Nó tático governista deixa Cícero sem candidato a prefeito em Cabedelo
28/01/2026 09:17

Suetoni Souto Maior

Edvaldo Neto foi eleito prefeito de Cabedelo em eleição suplementar no último domingo. Foto: Divulgação

O período de convenções para as eleições suplementares, em Cabedelo, deixou clara uma realidade que não era esperada até pouco tempo atrás: o prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao governo, Cícero Lucena (MDB), não deverá ter um candidato competitivo para chamar de seu no município. O nome anunciado recentemente foi o do prefeito interino da cidade, Edvaldo Neto (Avante). Tinha, para isso, o apoio do ex-prefeito Vítor Hugo (Avante), que é atualmente secretário de Turismo da capital e tem ascendência sobre Neto. Não contava, porém, com o risco do nó tático que foi dado pelo grupo governista.

Sem alardes, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), tio do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), articularam nacionalmente a conquista do controle do Avante, partido de Vítor Hugo e Neto. Com isso, o presidente nacional tirou o comando estadual da sigla do ex-prefeito e o passou para o presidente da PBSaúde, Jhony Bezerra (que deixa o PSB). O ato contínuo foi o convite a Neto para assumir o partido em Cabedelo. A recusa de representar a agremiação na disputa significaria dar adeus à própria candidatura.

O motivo para isso é simples: não há tempo legal para a mudança de partido. Por isso, Neto está preso ao Avante e ao alinhamento com o pré-candidato ao governo, Lucas Ribeiro (PP). Vítor Hugo, apesar disso, disse que ficará com o prefeito interino na disputa, mas garante também a manutenção do apoio dele à pré-candidatura de Cícero. E o curioso é que a corda que prende Neto ao bloco governista é a mesma amarrou a possibilidade de outras postulações. Vítor Hugo não pode por dois motivos: está inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e por ter sido prefeito reeleito nos dois últimos mandatos.

A mulher de Vítor Hugo, Daniella Ronconi, também não poderia, por ser filiada ao União Brasil, partido de outro pré-candidato ao governo (Efraim Filho) e que está federado com o PP, de Aguinaldo Ribeiro. A opção também não poderia ser Camila Holanda, a ex-vice-prefeita, porque ela é filiada ao PP. Do mesmo mal sofreria uma tentativa de emplacar o deputado federal Mersinho Lucena, filho de Cícero. Ele também é filiado ao PP. Como André Coutinho, o prefeito afastado, está inelegível, sobraria o deputado estatal Wallber Virgolino (PL), o que está fora de cogitação. Wallber está com Efraim Filho.

Entre “traições”, passes de letra e conformidades, as cartas foram postas na mesa. Resta esperar as próximas jogadas.

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