O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), pôs fim a uma polêmica indesejável nesta segunda-feira (11) para quem tem como projeto buscar a reeleição. O sepultamento do plano de engorda da orla da capital, pelo menos neste momento, foi uma decisão acertada. Não quero dizer que o tema não mereça ser discutido, tampouco que os estudos que seriam realizados pela empresa Alleanza Projetos e Consultoria Ltda-EPP não precisassem ser feitos. O problema, neste caso, era o timing político da proposta. Num país como o Brasil, temas que geram polêmica têm que ser encarados no início do mandato. E não é este o caso.
Essa questão temporal é importante porque inclui tempo adequado de estudos, implementação e resultado. Dando tudo certo, como é o desejável sempre, a fatura é positiva. E pode ser que os estudos indiquem a inviabilidade do projeto. E isso tem que ser considerado. Mas ao contrário disso, o tema acabou fomentando debates precipitados, que misturaram componentes técnicos com interesses eleitorais. Durante entrevista nesta segunda, o prefeito falou a respeito: “Este é um tema importante, sério, que demanda responsabilidade e vamos tratar com cautela. Cancelamos o estudo preliminar, vamos discutir com a sociedade, o Ministério Publico e a academia”, disse.
Em contrapartida a isso, levando em conta o senso de prioridade, o acerto da gestão ficou por conta de outra questão relacionada à ampliação do programa voltado para a distribuição de alimentação pela prefeitura. E por que isso é importante? Porque a fome ainda é uma realidade na cidade, assim como no restante do país. A ação recebeu o nome de “Bora Comer” e promete a distribuição de uma refeição a mais (jantar) nas seis cozinhas comunitárias do Município. O programa vai beneficiar 226.800 pessoas e vai aumentar em 125% o número de refeições fornecidas por estes equipamentos quando comparado a 2019.
E esse é um tema mais urgente. Pelo que foi dito pela prefeitura, as refeições são gratuitas e atendem à população cadastrada nas cozinhas comunitárias. A partir de agora, além do almoço, estes equipamentos também vão fornecer o jantar. Para isso, o horário de funcionamento passa a ser ampliado, abrindo também à noite. Com o programa, o número de refeições distribuídas em 2023 nas cozinhas será 680,4 mil, 125% a mais que em 2019, quando foram entregues 202,4 mil pratos.
“Nossa gestão tem o compromisso de cuidar da população e nenhum cuidado é mais elementar do que a garantia do alimento e a erradicação da fome. Temos programas como o ‘Pão e Leite’, que já obteve reconhecimento nacional; ampliamos o número de refeições servidas nos restaurantes populares e agora trazemos mais uma refeição para as cozinhas comunitárias, garantindo que as pessoas possam comer três vezes ao dia”, afirmou o prefeito Cícero Lucena durante o evento. O gestor ainda anunciou a construção de três novas cozinhas, em Cruz das Armas, Mandacaru e no Alto do Mateus.
Em relação à praia, a prioridade para o momento deve ser a requalificação da orla e a contenção na Barreira do Cabo Branco. Qualquer coisa além disso deve ficar para o futuro.
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