Legislativo
Motim da oposição para salvar Bolsonaro dura 30 horas e exige postura dura de Hugo Motta
07/08/2025 09:01

Suetoni Souto Maior

PEC da Blindagem teve apoio massivo da oposição e do centrão na Câmara dos Deputados. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) demorou 30 horas para retomar o comando da Câmara dos Deputados, após motim da oposição na Casa, que tenta a todo custo livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão. O ex-mandatário cumpre prisão domiciliar desde a última segunda-feira (4), por causa do descumprimento de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O roteiro para recuperar a cadeira no Legislativo incluiu, entre outras coisas, ameaça de suspensão dos mandatos dos amotinados por seis meses e processo na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

O movimento envolveu, ainda, a interferência do antecessor no cargo, o deputado Arthur Lira (PP-AL). No movimento, parlamentares da oposição ocuparam as mesas dos plenários da Câmara e Senado na terça-feira (5), impedindo a realização de sessões. Em esquema de revezamento, eles passaram a madrugada no local, que foi isolado pela polícia legislativa, com permissão de entrada apenas de parlamentares.

Com o motim, os bolsonaristas buscaram pressionar a cúpula do Congresso a pautar a anistia ao ex-presidente e aos participantes do 8 de Janeiro, além do impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que decretou a prisão, e amarras à atuação da corte, principalmente em relação a investigação e processos contra parlamentares.

Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passaram o dia em reunião com o PL e com os demais partidos na tentativa de um acordo para desocupação dos plenários de votações, mas as negociações emperraram.

Apoiado por líderes de 17 partidos, incluindo os governistas, o presidente da Câmara anunciou que abriria a sessão no plenário da Casa às 20h30 desta quarta, o que só ocorreu após as 22h, depois da intervenção de Lira. O entendimento era o de que Motta deveria sentar em sua cadeira e que qualquer negociação com os bolsonaristas não poderia ocorrer sob a chantagem da ocupação do plenário.

Quando conseguiu abrir a sessão, entre gritos de “anistia já” e “sem anistia”, Motta discursou por cerca de dez minutos e, em seguida, encerrou a sessão. O presidente afirmou que a sua presença tinha o objetivo de garantir “a respeitabilidade desta mesa, que é inegociável”. “Nós tivemos um somatório de acontecimentos recentes que nos trouxeram a esse sentimento de ebulição. É comum? Não? Estamos vivendo tempos normais? Também não. Mas é justamente nessa hora que nós não podemos negociar a nossa democracia”, disse.

Como conclusão da confusão, deputados bolsonaristas disseram que foi firmado com Motta um acordo para votar a anistia dos acusados de tentativa de golpe de estado, incluindo o ex-presidente. Também falaram em votar o fim do foro privilegiado, para tirar as ações contra parlamentares do Supremo. Os deputados da base governista, no entanto, dizem que nenhum acordo neste sentido foi fechado. Até agora Hugo Motta não se pronunciou sobre a existência ou não de acordo. Ele se resumiu a dizer que não haveria acordo em meio à coação praticada pelos oposicionistas.

O que tem havido, de fato, é uma inqueitude que ameaça a liderança do parlamentar paraibano, que precisará de pulso forte para comandar a pauta da Casa.

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