Judiciário
Ministério Público da Itália dá parecer pela extradição de Carla Zambelli
22/10/2025 17:20

Suetoni Souto Maior

A deputada Carla Zambelli postou, em 2022, foto de encontro com Walter Delgatti. — Foto: Reprodução/Twitter

O Ministério Público da Itália deu parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), conforme informou a Advocacia-Geral da União (AGU). A parlamentar está presa de forma cautelar em território italiano por decisão da Corte de Apelação de Roma, que considerou haver risco concreto de fuga.

Zambelli deixou o Brasil no início de junho, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão. O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição, e a AGU acompanha o processo com o objetivo de assegurar o cumprimento da decisão judicial.

A deputada foi condenada por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), episódio em que foi emitido um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o STF, ela atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, também condenado no mesmo processo.

A Corte de Apelação italiana aguardava o parecer do Ministério Público local para dar prosseguimento ao caso. Agora, o processo segue para uma nova audiência, na qual será avaliado se estão presentes os requisitos legais para o envio de Zambelli ao Brasil. A decisão final caberá ao Ministério da Justiça da Itália.

Em 8 de outubro, a Corte de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, rejeitou um recurso da defesa contra a prisão em regime fechado, mantendo a parlamentar detida durante a tramitação do processo. Antes disso, em agosto, a Corte já havia negado o pedido de prisão domiciliar, sob o argumento de que havia alto risco de fuga e de que o estado de saúde da deputada era compatível com o encarceramento.

Além da condenação no STF, Zambelli responde por outro processo, no qual foi sentenciada a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime semiaberto, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso está relacionado ao episódio de outubro de 2022, quando ela sacou uma arma e perseguiu um homem negro nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições.

A decisão judicial também prevê a perda do mandato parlamentar, que só será efetivada após o trânsito em julgado. A cassação, contudo, depende de deliberação da Câmara dos Deputados, com necessidade de maioria absoluta (257 votos). O processo começa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), passa por fase de defesa e instrução, e só depois é submetido ao plenário — sem prazo definido para conclusão.

A licença de 127 dias que Zambelli havia solicitado antes de deixar o país terminou em 2 de outubro.

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