Legislativo
Mesmo com pressão governista, dois dos três senadores paraibanos assinaram requerimento para CPI do MEC
09/04/2022 10:05
Suetoni Souto Maior
Veneziano Vital assinou o requerimento para a instalação da CPI. Foto: Nelson Sebastian/Senado

Os dias têm sido corridos nesta semana, no Senado. De um lado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) recolheu 27 assinaturas para a a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que se destina a investigar supostos casos de corrupção e tráfico de influêcia no Ministério da Educação (MEC). Uma movimentação forte do governo de Jair Bolsonaro (PL), no entanto, resultou na retirada de pelo menos três dessas concordâncias. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi um deles. Outra foi a senadora Rose de Freiras (MDB-ES). O caso dela foi mais grave. A parlamentar disse que a assinatura dela foi fraudada.

O blog apurou que dos três senadores da Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nilda Gondim assinaram o requerimento. Vice-presidente do Senado, o parlamentar paraibano segue em caminho contrário ao do presidente do colegiado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que teme a criação de um ringue eleitoral na Casa. Não custa lembrar que a CPI da Pandemia, no ano passado, provocou profundo desgaste na imagem de Bolsonaro. Ela mostrou como um monte de borra-botas se articulava dentro do governo para tentar faturar alto com a compra de vacinas.

O caso atual é igualmente grave, porque envolve diretamente o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Ele foi gravado em conversa com dois pastores que funcionavam como lobistas de prefeitos. Mas não apenas isso, o próprio ministro dizia na gravação que agia em nome do presidente. As apurações da imprensa mostraram que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura teriam cobrado propina dos gestores para intermediar a liberação do dinheiro público. Era R$ 15 mil só para iniciar a conversa. Um dos prefeitos disse que cobraram a ele uma barra de um quilo de ouro.

Reprodução/Twitter

Temendo os efeitos deletérios disso, o senador licenciado Ciro Nogueira, chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, caiu em campo para desestimular novas assinaturas no documento. O temor é que as investigações provoquem desgaste na imagem do presidente em pleno ano eleitoral. Ao todo, são 81 senadores. A comissão pode ser instalada com o aval de 27 deles, número que Randolfe disse ter conseguido, porém, houve baixas. O blog entrou em contato com a assessoria de Daniella Ribeiro (PSD) e foi informado que a parlamentar ainda não assinou o documento e que está em missão representando a Casa.

Durante o decorrer desta sexta-feira (8), a militância bolsonarista subiu no Twitter a hashtag CassacaoDoRandolfe, acusado por ele de ter falsificado a assinatura da senadora Rose de Freitas. A semana que vem promete.

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