Executivo
Mesmo com bons nomes, oposição se mostra incapaz de apontar líder para 2022
24/07/2021 07:39
Suetoni Souto Maior
Foto: Montagem

Em todo processo eleitoral é natural que exista um candidato governista e pelo menos um da oposição. O primeiro sempre surge com certa primazia para vencer a disputa, pela força que a caneta costuma ter. Aos oposicionistas resta explorar as fraquezas do governo e, não vamos esquecer, construir uma expectativa de vitória factível. Sim, duas coisas são preponderantes numa disputa: poder e expectativa de poder. Se você não tem a caneta, precisa deixar as pessoas esperançosas de que pode vir a tê-la.

No caso da Paraíba, no varejo, é possível garimpar bons nomes para enfrentar o governador João Azevêdo (Cidadania). A gente poderia lembrar aqui do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e dos ex-prefeitos Romero Rodrigues (PSD) e Luciano Cartaxo (PV). Se forçar um pouco mais, dá para imaginar os deputados federais tucanos Pedro Cunha Lima e Ruy Carneiro. Este último fez bonito na disputa eleitoral em João Pessoa, terminando em terceiro lugar. Há até quem fale em se importar o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) da base governista.

Mas o que existe de fato é dificuldade de diálogo. Ora, as lideranças citadas campeiam nas mesmas trincheiras dos deputados estaduais bolsonaristas Wallber Virgolino (Patriota) e Cabo Gilberto (PSL), além do comunicador Nilvan Ferreira (PTB), segundo colocado nas eleições para prefeito de João Pessoa. O grande problema é que as lideranças, além de não terem caneta, se transformaram em uma federação de interesses particulares. Vivem um processo de autofagia interminável, numa Babel de discurso infértil.

E dentro desta perspectiva, não precisa ir muito a fundo na Ciência Política para lembrar que a deusa “Fortuna” tem paciência curta e joga ao largo os desprovidos de “Virtù”. Esta situação fortalece o barco governista, que tem vagas limitadas, mas uma capacidade larga de interlocução. O poder maqueia arestas e sufoca crises e descontentamentos. O campo de oposição é árido em compensações, por isso, o líder tem que dispor de mais predicados para chegar ao topo. Do Hades onde se encontra, a oposição vê o governador se fortalecer, mesmo sem um trabalho virtuose.

Vamos lembrar alguns casos na política paraibana em que a oposição desalojou o mandatário do Palácio da Redenção: em 2002, um Cássio Cunha Lima ainda jovem venceu a eleição contra um Roberto Paulino (MDB) que estava de posse de um governo bem avaliado. Em 2010, Ricardo Coutinho fez o mesmo com José Maranhão (MDB), carreando para o entorno de si todas as lideranças refratárias ao então governador. Tal união fez falta em 2018, quando houve derrota da oposição ainda no primeiro turno. Este é um caminho que tende a ser repetido.

E a receita para a derrota tem sido a desunião do bloco. Romero se apresentou como o candidato mais proeminente, mas sofre com a alcunha de bolsolnarista no momento em que o presidente vive seu pior momento eleitoral. O ensaio dele para ter um palanque mais amplo foi criticado por Nilvan e Cabo Gilberto e elevou o desconforto da extrema-direita. Ambos exigem palanque único para Bolsonaro. A exigência tende a enfraquecer a oposição e isso é um caminho ladrilhado, pronto e acabado para uma virtual derrota nas quatro linhas de uma disputa eleitoral.

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