Legislativo
Marcelo Queiroga será cobrado na CPI por omissão no caso da Copa América
07/06/2021 07:42
Suetoni Souto Maior
Marcelo Queiroga será questionado sobre veto ao nome da infectologista Luana Araújo. Foto: Divulgação/Senado

O ministro paraibano Marcelo Queiroga (Saúde) volta aos bancos do Senado nesta terça-feira (8). Ele será questionado pelos parlamentares na CPI da Pandemia sobre suposta omissão no processo que culminou com a autorização para a realização da Copa América no Brasil. O torneiro foi rejeitado por Argentina e Colômbia, respectivamente, por causa dos casos crescentes da Covid-19 e foi abrigado no Brasil por decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no momento em que o país sobe a ladeira para a terceira onda de contaminações.

Será a segunda vez que o ministro será ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado para investigar as supostas omissões do governo federal e dos governadores na pandemia. A primeira vez foi há um mês e ele foi evasivo nas declarações, porém, de lá para cá, muitos fatos novos foram incorporados ao discurso dos senadores. A Copa América foi um deles, mas não o único. O depoimento da médica Nise Yamaguchi, principal incentivadora do tratamento precoce com medicamentos sem eficiência comprovada, foi um dos principais.

Outro depoimento que gerou grande repercussão na CPI foi o da infectologista Luana Araújo. Ela foi convidada por Queiroga para assumir um cargo no Ministério da Saúde, mas teve o nome vetado pelo presidente Jair Bolsonaro. A médica atribuiu a sua exclusão ao fato de defender a ciência e ser contra o tratamento precoce. Ela comparou a discussão sobre uso de Cloroquina e Ivermectina ao terraplanismo. “Estamos discutindo de que borda da Terra plana vamos pular”. Os senadores querem saber de Queiroga quem vetou a médica.

Os senadores haviam decidido reconvocar Queiroga para que ele apresentasse explicações sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro em aglomerações, mas a presença do ministro também se tornou necessária após o depoimento da infectologista Luana Araújo. No depoimento à CPI, ela fez duras críticas à gestão da pandemia do governo federal.

Na quarta-feira, é a vez do ex-secretário executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco prestar esclarecimentos. Braço direito da gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, ele deverá ser questionado sobre a demora na compra de vacinas e sobre a existência de um “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro.

Na quinta-feira, a CPI ouvirá o governador do Amazonas Wilson Lima (PSC), primeiro gestor estadual a prestar depoimento. Sua data foi antecipada depois que a Polícia Federal realizou, na semana passada, quarta fase de investigação contra o governador por suspeitas de desvios na aplicação de recursos de combate à Covid-19.

A semana da CPI termina com os depoimentos, na sexta-feira, de especialistas para falar sobre aspectos técnicos no combate à Covid-19: a microbiologista Natalia Pasternak e o médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz Cláudio Maierovitch, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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