Legislativo
Mais de 50% da comunidade LGBTQIA+ se diz vítima de violência no contexto político-eleitoral
28/06/2021 08:28
Suetoni Souto Maior
Tucanos criam grupo voltado para o debate das questões LGBTQIA+. Foto: Divulgação/PSDB

Uma pesquisa realizada pela empresa social ‘Gênero e Número’ revelou que mais de 50% das pessoas integrantes da comunidade LGBTQIA+ afirmaram ter sido vítimas de algum tipo de violência no contexto político-eleitoral em 2018. O dado não surpreende, tendo em vista a percepção diária, e foi lembrado pelo PSDB da Paraíba nesta segunda-feira (28), dia do Orgulho LGBTQIA+. A sigla diz estar debatendo a participação do segmento na política. A legenda tem entre os filiados, atualmente, o deputado Rafafá, primeiro paraibano assumidamente gay na Câmara Federal. 

O presidente da Diversidade Tucana do PSDB da Paraíba, Joel Cavalcanti, ressalta que a violência pode se caracterizar, inclusive, com o silêncio e a invisibilidade da classe no campo político. “Sofremos violência indireta ao sermos minimizados, subestimados, como se não soubéssemos falar de alguns temas. São violências que não são contabilizadas mas nos silencia, nos diminui”, pontua. 

Fundada em abril deste ano, a Diversidade Tucana do PSBD da Paraíba tem se apresentado como grupo que busca trazer a representatividade para a população LGBTQIA+ com pautas que ajudem na redução do preconceito e dos ataques contra a comunidade. Joel cita Rafafá como símbolo da representatividade necessária para a comunidade LGBTQIA+ na política. “Ele vai além da pauta da inclusão, fala de habitação, educação, saúde, porque tudo isso é necessário. É um erro achar que as causas LGBT são unicamente sobre inclusão, somos e precisamos de muito mais que isso”, pontuou.

Na última sexta-feira (25), uma mulher trans foi queimada viva no Centro do Recife. Notícias como essa angustiam Nicole Galdino, mulher trans e secretária de comunicação da Diversidade Tucana do PSDB-PB. Sempre atenta aos casos de agressões e ataques contra mulheres trans, ela espera que essa violência deixe de existir em todos os espaços, inclusive na política. “Espero não ser vítima de violência política, tenho acompanhado muitas mulheres trans que foram eleitas e passaram por problemas e precisaram tomar certas ações e posturas para continuarem vivas e exercendo cargo. Se algo assim acontecer comigo, não me acovardo, estou aqui para abrir o peito e lutar pela causa que acredito”, garante. 

Assim como Nicole, muitas pessoas LGBTQIA+ ainda que não tenham sofrido violência, conhecem alguém que sofreu. De acordo com a pesquisa de Gênero e Número, 87% dos entrevistados relataram ter tomado conhecimento de violências cometidas contra alguém próximo da comunidade no segundo semestre de 2018. 

Projeto de Lei

Para tentar reduzir a violência política contra essa população, tramita na Câmara Federal o Projeto de Lei 78/21, que proíbe a violência política eleitoral contra candidatos LGBTQIA+.

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