Um dos ensinamentos básicos da Física diz que dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo espaço. É o princípio da impenetrabilidade da matéria. Na política, do ponto de vista eleitoral, a máxima é exatamente a mesma. A partir do momento que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, dá o aval para que a senadora Daniella Ribeiro dispute a prefeitura de Campina Grande, ele está, na verdade, abrindo a porta do partido e apontando a saída para Bruno Cunha Lima. O prefeito tem a intenção de disputar a reeleição, mas o partido comporta apenas um postulante.
A posição de Kassab foi manifestada neste sábado (1º), um dia depois de Bruno ter dito durante entrevista que iria ouvir o comandante nacional do partido antes de decidir se fica no PSD ou migra para outra sigla. Ele tem convite de várias outras agremiações. Na sexta-feira (30), como bem mostrou o jornalista João Paulo Medeiros em seu blog, o prefeito esteve em evento de filiações do União Brasil. Lá, recebeu convite do senador Efraim Morais para entrar na legenda. O gestor, no entanto, tem recorrido a uma frase repetida no passado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima, a de que quem tem tempo não tem pressa.
A mensagem trazida por Kassab para Bruno, neste sábado, não foi a esperada. Ela teve tom protocolar e desinteressada. Ao ser questionado sobre como reagiria se encontrasse o prefeito de uma das principais cidades do interior do Nordeste, que por um acaso é filiado ao seu partido, ele apenas disse que o cumprimentaria respeitosamente. Isso logo depois de dizer que, na Paraíba, é Daniella Ribeiro, presidente estadual do partido, quem dá as cartas. Essas posições no tabuleiro foram definidas ainda em maio, quando o comando do partido na Paraíba foi mantido nas mãos da parlamentar.
Daniella, no entanto, evita ações de afogadilho. Tem agido com passos contados em direção a uma eventual candidatura. Espera, logicamente, unir a oposição em torno dela. Um dos apoios pode vir do governador João Azevêdo (PSB), que teve os brios feridos recentemente ao ouvir declaração de Bruno de que a oposição a ele, em Campina Grande, é fraca. Ao ser confrontado com uma pergunta sobre o assunto, o gestor paraibano sugeriu que o prefeito espere chegar o ano que vem, justamente o da disputa eleitoral. João busca um nome para representar o grupo na Rainha da Borborema.
Para o governo, uma eventual eleição de Daniella Ribeiro em Campina Grande aliviaria o cenário para 2026, abrindo mais vagas no grupo para a disputa. O próprio João Azevêdo dá sinais de que poderia disputar o Senado e haverá duas vagas na próxima campanha. Isso abriria vaga para manter Hugo Motta (Republicanos) no agrupamento político, enquanto Lucas Ribeiro (PP), filho de Daniella, com a caneta na mão, disputaria o governo do Estado. A vaga de Daniella no Senado, em caso de eleição, iria para Diego Tavares, que trocaria o PP pelo PSD para manter a vaga no Senado com a sigla comandada por Kassab.
Como disse Kassab ao ser questionado sobre uma candidatura de Daniella, “meias palavras bastam” para demonstrar a preferência dele. Estas mesmas meias palavras dizem muito sobre o futuro de Bruno no partido. Em francês, a expressão seria “au revoir”…
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