Em um cenário nacional marcado por crescimento exponencial da população em situação de rua, João Pessoa vai na contramão. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado nesta segunda-feira (14), colocou a capital paraibana como a cidade com o menor índice de pessoas vivendo nas ruas entre as capitais do Nordeste.
De acordo com os dados, João Pessoa contabilizou 953 pessoas em situação de rua — o equivalente a 0,11% da população. Para se ter ideia do contraste, São Paulo lidera o ranking nacional com 96 mil pessoas nessa condição. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador aparecem logo depois, todas com números acima de 10 mil.
O estudo foi realizado pelo Programa Polo de Cidadania, da Faculdade de Direito da UFMG, e cruzou dados oficiais com trabalho de campo. O levantamento integra a campanha Vida nas Ruas, que vem sendo divulgada pela Rede Minas e nas redes sociais da universidade, com vídeos que mostram a realidade enfrentada por essa população e a urgência de políticas públicas efetivas.
Em João Pessoa, o resultado é atribuído às ações intersetoriais da prefeitura. A gestão de Cícero Lucena (PP) aposta em programas como o Ruartes, que atua com abordagem social direta nas ruas, e nos Centros Pop, que funcionam como pontos de acolhimento e articulação com a rede de serviços públicos.
“Temos um cinturão social que integra programas de assistência com segurança alimentar e acesso à cidadania. A prioridade tem sido atender quem mais precisa”, afirma o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Diego Tavares, que tem sido peça central na articulação dessas políticas.
O Ruartes, por exemplo, foca na identificação de pessoas em risco pessoal e social — incluindo vítimas de exploração sexual e trabalho infantil —, enquanto os Centros Pop oferecem suporte técnico, encaminhamento para hospitais, UBSs, Cras, Creas, e até cartórios e o TRE. A ideia é romper o ciclo da vulnerabilidade com uma rede efetiva de acolhimento e emancipação.
A marca deixada por João Pessoa no estudo da UFMG não é apenas estatística. Em meio a uma realidade nacional dramática, a capital paraibana se apresenta como uma exceção — rara — no mapa da exclusão. E mostra, ao menos neste ponto, que é possível fazer diferente com políticas públicas articuladas e foco em quem está à margem.
Por: Beatriz Souto Maior
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