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João Pessoa tem o menor índice de população em situação de rua no Nordeste, diz UFMG
16/04/2025 12:24

Suetoni Souto Maior

Foto: Divulgação/CMJP

Em um cenário nacional marcado por crescimento exponencial da população em situação de rua, João Pessoa vai na contramão. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado nesta segunda-feira (14), colocou a capital paraibana como a cidade com o menor índice de pessoas vivendo nas ruas entre as capitais do Nordeste.

De acordo com os dados, João Pessoa contabilizou 953 pessoas em situação de rua — o equivalente a 0,11% da população. Para se ter ideia do contraste, São Paulo lidera o ranking nacional com 96 mil pessoas nessa condição. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador aparecem logo depois, todas com números acima de 10 mil.

O estudo foi realizado pelo Programa Polo de Cidadania, da Faculdade de Direito da UFMG, e cruzou dados oficiais com trabalho de campo. O levantamento integra a campanha Vida nas Ruas, que vem sendo divulgada pela Rede Minas e nas redes sociais da universidade, com vídeos que mostram a realidade enfrentada por essa população e a urgência de políticas públicas efetivas.

Em João Pessoa, o resultado é atribuído às ações intersetoriais da prefeitura. A gestão de Cícero Lucena (PP) aposta em programas como o Ruartes, que atua com abordagem social direta nas ruas, e nos Centros Pop, que funcionam como pontos de acolhimento e articulação com a rede de serviços públicos.

“Temos um cinturão social que integra programas de assistência com segurança alimentar e acesso à cidadania. A prioridade tem sido atender quem mais precisa”, afirma o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Diego Tavares, que tem sido peça central na articulação dessas políticas.

O Ruartes, por exemplo, foca na identificação de pessoas em risco pessoal e social — incluindo vítimas de exploração sexual e trabalho infantil —, enquanto os Centros Pop oferecem suporte técnico, encaminhamento para hospitais, UBSs, Cras, Creas, e até cartórios e o TRE. A ideia é romper o ciclo da vulnerabilidade com uma rede efetiva de acolhimento e emancipação.

A marca deixada por João Pessoa no estudo da UFMG não é apenas estatística. Em meio a uma realidade nacional dramática, a capital paraibana se apresenta como uma exceção — rara — no mapa da exclusão. E mostra, ao menos neste ponto, que é possível fazer diferente com políticas públicas articuladas e foco em quem está à margem.

Por: Beatriz Souto Maior

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