Executivo
João Azevêdo e o desejo de Lula de eleger mais aliados para o Senado
09/02/2025 12:28

Suetoni Souto Maior

Lula e João Azevêdo durante agenda política do presidente na Paraíba. Foto: Ricardo Sturcket/PR

O movimento do governador João Azevêdo (PSB) na direção de uma eventual disputa do Senado, no ano que vem, encontra respaldo entre os apoiadores do presidente Lula (PT). Entre os aliados do gestor paraibano, há quem diga que já houve pedido direto do petista para que o socialista encampe a disputa. A coluna Painel, da Folha de São Paulo, traz neste domingo (9) a informação de que, no privado, o presidente tem dito que trocaria cinco governadores por uma vaga na Casa Alta. E tem motivo para isso: o apetite bolsonarista pelo espaço onde podem ser discutidas, por exemplo, pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Recentemente, o governador viu surgir uma crise na base aliada por admitir que a tendência é a de que seja mesmo candidato e, consequentemente, crie-se as condições para que o vice, Lucas Ribeiro (PP), dispute a reeleição. A fala desagradou ao presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos). O descontentamento não foi exatamente pelo plano político do governador, mas pela delimitação dos espaços na disputa pelo governo, tema de interesse do parlamentar. Conversa vai, conversa vem, com atuação de muitos bombeiros pelo meio, o clima ruim foi arrefecido.

O que acontece, de fato, é que os planos de Lula envolvem a ocupação do maior número de cadeiras no Senado possível. Isso porque 54 delas estarão em jogo na eleição do ano que vem. Se os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conseguirem a metade, eles terão o controle da Casa que hoje é mais favorável a Lula. Dentro deste plano de conquista de espaço, quatro governadores nordestinos que integram a base aliada não poderão disputar a reeleição. Então, tendem a ir para o Senado. A lista inclui o próprio João Azevêdo, além de Carlos Brandão (Maranhão), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) e Paulo Dantas (Alagoas).

Os governistas receiam que os bolsonaristas, em caso de sucesso, poderiam tentar transformar a eleição em uma espécie de plebiscito sobre temas como drogas, aborto e STF. Bolsonaro está inelegível, mas já escalou para a disputa do Senado um time familiar, formado por Michelle, Eduardo e Flávio.

Em conversa com o blog, o presidente estadual do PT, Jackson Macedo, disse não ter conhecimento ainda de pedido direto de Lula a João Azevêdo, mas ele não discorda que tenha acontecido. “Se você se recordar, em 2022, o PT bancou o nome do ex-governador Ricardo Coutinho (PT) para a disputa. Ele estava inelegível e sabia disso. Se tivéssemos concentrado a atenção na candidatura de Pollyanna Dutra (PSB), ela teria sido eleita”, ressaltou.

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