Executivo
João Azevêdo diz que após o recesso vai puxar a corda na base governista e criar um ‘bloco coeso’ para as eleições
12/04/2022 20:33
Suetoni Souto Maior
João Azevêdo assina transmissão do cargo para Saulo Benevides. Foto: Francisco França/Secom-PB

De saída para um recesso de pouco mais de dez dias, o governador João Azevêdo (PSB) prometeu construir, após o seu retorno à Paraíba, uma unidade sólida na base aliada. A promessa foi apresentada ao blog nesta terça-feira (12), durante a transmissão do cargo para o presidente do Tribunal de Justiça, Saulo Benevides. O magistrado é o terceiro na linha sucessória e assume o governo interinamente, com as licenças da vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), e do presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos). Os dois últimos ficariam inelegíveis caso assumissem o cargo.

Na conversa com o blog, o gestor explicou que pretende atuar como “algodão” entre as lideranças da base aliada, para estancar os atritos. “Olhe estes dedos”, disse, exibindo a mão esquerda. “Eles não são iguais, mas se as arestas forem aparadas, eles poderão funcionar como um grupo coeso”, ilustrou. Mesmo sem nomear cada um dos membros, é possível imaginar que o aparar de arestas inclui estabelecer as bases para a convivência entre o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) e os deputados que integram o Republicanos. A lista inclui os federais Hugo Motta e Wilson Santiago, além dos estaduais Wilson Filho e Raniery Paulino.

O governador chegou a ser cobrado publicamente pela construção desta unidade. As cobranças partiram principalmente de Aguinaldo. Ele tem entre os seus apoiadores o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, do mesmo partido, que se tornou muito próximo de João a partir das eleições de 2020. O movimento refratário, por outro lado, vem dos parlamentares do Republicanos, que declararam, de forma antecipada, apoio ao deputado federal Efraim Filho (União Brasil) para a disputa do Senado. O problema é que o parlamentar está no palanque de Pedro Cunha Lima (PSDB), virtual adversário de João.

O governador, porém, deu pistas de que não aceitará divisionismos na sua base. Isso pressupõe que todos os nomes da chapa majoritária deverão ser seguidos pelos outros apoiadores. Os parlamentares do Republicanos, porém, cobram uma contrapartida de Aguinaldo Ribeiro, assim como foi feito por Efraim. O parlamentar do União Brasil entregou seu espólio eleitoral em troca de apoio. E é esse conflito de interesses que o governador terá que enfrentar, para que a unidade seja construída visando as eleições deste ano na Paraíba.

A definição do nome para o Senado será o primeiro passo nesta costura. O governador estima que isso será feito até o início de maio. O passo seguinte será a definição do nome para vice-governador. João evitou antecipar o perfil que será escolhido, mas deixou claro que será alguém que ofereça suporte para um eventual segundo mandato. “Será alguém para governar ao meu lado. Essa pessoa vai assumir o governo em abril de 2026 e poderá trabalhar uma reeleição”, disse, deixando claro que este será o cenário em caso de vitória dele neste ano.

O desenho desta articulação não será simples, mas veremos os seus contornos serem desenhados em breve.

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