Executivo
João Azevêdo deixa o Cidadania em caso de federação do partido dele com PSDB, apostam aliados e adversários
11/01/2022 12:06
Suetoni Souto Maior
João Azevêdo pretende disputar a reeleição e Pedro Cunha Lima se coloca como pré-candidato pela oposição. Foto: Divulgação/Montagem

Uma bolsa de apostas se formou em torno do futuro político do governador João Azevêdo (Cidadania). O motivo é a perspectiva de formação de uma federação envolvendo o atual partido dele e um PSDB repleto de expoentes da oposição na Paraíba. Caso efetivamente isso ocorra, quem muda de partido, considerando que os dois grupos são antagônicos e não conseguiriam conviver de forma harmoniosa? Lideranças tucanas e até mesmo aliados do gestor acreditam que o melhor caminho seria João Azevêdo trocar de sigla. Os destinos sugeridos seriam o retorno ao PSB ou migração para o PSD.

Em entrevista recente, o deputado federal e virtual candidato ao governo, Pedro Cunha Lima (PSDB), apostou na tese de saída do governador. Ela é sustentada por outras lideranças locais ligadas à sigla tucana. A visão do presidente estadual do Cidadania, Ronaldo Guerra, porém, é outra. O secretário-chefe de Gabinete do governador entende que uma possível federação deve dar ao gestor o comando das ações sobre o PSDB e o Cidadania no Estado. E aí, neste caso, os incomodados que se mudem. Entenda-se por incomodado o grupo hoje cristalizado como principal oposição a Azevêdo.

A lista inclui Pedro Cunha Lima, mas também os deputados federais Ruy Carneiro e Edna Henrique, além dos estaduais Tovar Correia Lima e Camila Toscano. Isso porque a convivência deles num mesmo guarda-chuva seria improvável. Os dois partidos são adversários no plano estadual e também no plano municipal. As regras da federação impõem que haja espelhamento também nas eleições municipais. Os dois partidos se confrontaram em praticamente todo o estado em 2020, com o Cidadania elegendo 42 prefeitos e o PSDB, 23. Junto com os deputados, certamente muitos dos prefeitos seguiriam pela porta de saída do partido.

“Herdaríamos uma massa falida”, disse uma liderança governista ao analisar o cenário. Isso ocorreria porque um dos pressupostos para a formação de uma federação e que funcionaria como “regra de ouro” é que o partido que comanda o Estado assumiria o controle da “junção” no contexto local. Os tucanos enxergam de uma outra forma. Eles lembram que a legislação que dá suporte à criação da federação prevê a construção de um estatuto único, com regras a serem definidas pelos partidos e chanceladas pela Justiça Eleitoral. “Não existe regra de ouro, nem de prata, nem de bronze. A regra será criada ainda”, disse um deputado tucano.

Outro ingrediente que dificulta o entendimento tem sido lembrado tanto por governistas como por oposicionistas. No plano nacional, o PSDB pretende bancar a candidatura do governador de São Paulo, João Dória. Na Paraíba, João Azevêdo demonstra interesse em um palanque conjunto com o ex-presidente Lula (PT). Apesar de as disputas locais serem, em geral, relativamente descoladas na nacional, dificilmente o PSDB concordará com a “traição” paraibana. Isso poderá dificultar a vida do governador na construção interna dos entendimentos. Outro ponto é que João desaloja os tucanos no Estado, mas ganha pouco com isso.

E tem coisa mais grave. As discussões entre PSDB e Cidadania envolvem, também, a possibilidade de uma incorporação do partido do governador pela sigla tucana. Isso seria ainda mais difícil de administrar. A preço de hoje, as discussões sobre a formação da federação estão 80% encaminhadas, segundo lideranças dos dois partidos. A regra prevê também que o fechamento do acordo, caso ocorra, se dê até o mês de março, quando se abre a janela para a transferência partidária. De um lado ou do outro, a debandada em caso de acerto final será inevitável.

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