Executivo
Interventor do DF diz que havia gente treinada para combate entre terroristas que levaram caos aos Três Poderes
16/01/2023 07:19

Suetoni Souto Maior

Manifestantes promoveram quebra-quebra tendo como alvos os Três Poderes da República. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Havia gente treinada e preparada para o combate entre os terroristas que levaram destruição às sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8. A revelação foi feita por Ricardo Cappelli, interventor da segurança pública no Distrito Federal, durante entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (15). Os vândalos ocuparam o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. Em todos, ficou um cenário de destruição incompatível com qualquer regramento constitucional.

“Nós temos 44 policiais militares feridos em combate. Eles enfrentaram homens profissionais entre os manifestantes. Gente treinada e preparada. Gente que tinha noção de tática de enfrentamento, gente que tinha luva própria pra devolver granada e artefatos e gente que por muito pouco não ceifou a vida de um policial militar”, disse Capelli, ao descrever a ação dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O agora ex-secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, foi preso no último sábado (14) ao desembarcar no Brasil. Ele estava de férias em Orlando, mesmo Estado norte-americano onde está Bolsonaro.

Ao programa, o interventor afirmou que encontrou um comando da segurança do Distrito Federal atordoado. Ele foi nomeado pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, após observar o caos instalado em Brasília sem reação ou com conivência das forças de segurança do Distrito Federal. “Agora é a hora da gente separar o joio do trigo. Os que falharam, os que foram omissos, os que foram cúmplices e aqueles que honram a instituição, a polícia militar do Distrito Federal”, destacou. O Supremo Tribunal Federal também decretou intervenção no Governo do DF e afastou Ibaneis Rocha (MDB) do cargo.

Ibaneis é aliado do ex-presidente e foi desaconselhado quando decidiu aceitar o retorno de Anderson Torres ao cargo, após o auxiliar ter passado uma temporada como ministro da Justiça de Bolsonaro. O governador afastado agora se diz traído. Em meio a tudo isso, Capelli diz que as investigações terão curso. “A noite do dia 8 ainda não acabou. O dia 8 ainda não acabou. Essa noite ainda tem muita coisa pra ser… muita história por trás dela, muita investigação e a gente vai até o final”, disse.

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