Executivo
Indicação de Alckmin para vice de Lula teria peso mais simbólico que eleitoral
13/11/2021 09:49
Suetoni Souto Maior
Lula e Alckmin foram adversários nas eleições de 2006, vencidas pelo petista. Foto: Divulgação

O mundo político foi sacudido nesta semana pelas especulações a respeito de uma eventual indicação do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (por enquanto no PSDB), para vice do ex-presidente Lula no pleito de 2022. Elogios do petista de um lado, elogios do tucano do outro, críticas dos eleitores dos dois lados… Tudo isso era previsível. Mas ficam algumas dúvidas: essa aliança seria possível? E se for, qual seria o peso eleitoral dela? A resposta da primeira questão não é simples. Tudo vai depender do discurso criado em torno do alinhamento. Quanto ao peso da composição, ele seria muito mais simbólico que eleitoral.

Questionado sobre a composição, Alckmin, o cortejado, se mostrou lisonjeado pela lembrança. Também disse não haver barreira intransponível entre ele e Lula. Do lado do petista, a resposta foi similar. Os afagos trocados encontram respaldo na atuação política de lado a lado. Eles estiveram praticamente sempre em lados opostos, mas se trataram com respeito relativo a vida inteira. Mesmo em 2006, quando bateram chapa, não houve ponto fora da curva no tratamento. Lula foi presidente e se aproveitou e preservou o legado tucano. Uma prova disso são os programas sociais e a manutenção do Real.

Da governabilidade, vamos para a base eleitoral. Tucanos e petistas cultivaram por muitos anos uma rivalidade que favorecia os dois. As pessoas com visão do centro à esquerda estavam com Lula. As com concepção do centro à direita estavam com Alckmin. Mas veja que sempre houve uma interseção entre eles, o que fazia com que alternadamente puxassem o centro. Quem conseguia fazer isso, ganhava a eleição. Os extremistas à esquerda estavam com PSTU, PCO e por aí vai. Os extremistas à direita ficavam ali abrigados sem muito destaque entre PSDB, DEM, PSC….

Acontece que em 2018, estimulada pela Lava Jato, surgiu uma onda que engoliu o PSDB, levando o seu eleitorado para Jair Bolsonaro (sem partido). Essa viabilidade eleitoral construída com as circunstâncias daquele pleito fez com que ele atraísse para si também parte considerável do centro. Isso fez com que a candidatura de Alckmin naquele pleito desidratasse, a ponto de o candidato do partido que rivalizava com o PT nas últimas três décadas cair por terra. Ele saiu do pleito com pouco mais de 4% dos votos. E grande parte destes eleitores não deve retornar aos tucanos (ou ex-tucanos).

A aliança, mesmo assim, teria uma vantagem simbólica. Tiraria de Lula o status de “extremo” não visualizado nos seus governos, mas criado discursivamente por conta da ascensão de Bolsonaro. Serviria, ainda, como antídoto contra o discurso estimulado pelos candidatos que reclamam a posição de terceira via. Outro ponto é que uma eventual aliança ainda se encaixaria no discurso de necessidade de união do campo democrático contra os arroubos autoritários do presidente. É difícil prever se a aliança especulada agora se tornará realidade. Mas uma coisa é certa: ela faria bem à democracia.

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