O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), jogou um balde de água fria nas expectativas de setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de aprovar um projeto de anistia para os envolvidos no 8 de janeiro. Em entrevista à GloboNews, ele foi taxativo: “Não vejo clima para anistiar quem planejou matar pessoas”.
A fala se apoia em informações da Polícia Federal. Um documento batizado de “Punhal verde amarelo” — apreendido nas investigações — detalharia um plano de assassinato de autoridades, com uso de armamento pesado e até envenenamento. A PF aponta o general Mário Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, como autor do texto. Cópias teriam sido impressas no Planalto e levadas a uma reunião no Alvorada, com a presença de Bolsonaro.
Motta até admite que pode haver espaço para discutir penas consideradas exageradas, mas vê terreno mais fértil para propostas vindas do chamado “centro” político.
O parlamentar também aproveitou para classificar o motim de deputados da oposição, na semana passada, como “obstrução inadmissível”: “Não podemos permitir que isso vire costume. É preciso responsabilizar, mas sem atropelar o regimento”, disse.
Sobre pautas como foro privilegiado e prerrogativas parlamentares, o presidente da Câmara afirmou que não vai travar o debate, mas pediu cautela. E garantiu não ter feito qualquer acordo para retomar as votações, rebatendo versões de bastidores. “Como posso validar um acordo do qual não participei? Eu decidi não pautar”, cravou.
Sobrou ainda para Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Motta disse que não existe “mandato à distância” e criticou atitudes que, segundo ele, prejudicam pessoas e empresas. “Não existe mais ou menos deputado”, arrematou.
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