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História do primeiro craque paraibano convocado para a Seleção Brasileira vira filme
01/03/2022 09:43
Suetoni Souto Maior
Índio foi substituído por Pelé na Copa de 1958. Foto: Divulgação

O primeiro craque paraibano no futebol, Aluísio Francisco da Luz, o Índio, completaria 91 anos nesta terça-feira (1º) se estivesse vivo. Ele faleceu em abril de 2020, aos 89 anos, no Rio de Janeiro. Primeiro atleta paraibano a ser convocado para uma Copa do Mundo, em 1954, responsável por marcar o gol que classificou a Seleção para o Mundial de 58, e 10º maior artilheiro da história do Flamengo, Índio terá sua história de vida contada em um filme. ‘Índio, o herói de 57’ é um documentário idealizado por Fábio Henrique e Nelsinho Meira.

Cabedelense, o atacante nasceu no dia 1º de março de 1931, e atuou como jogador profissional de futebol numa carreira vitoriosa e marcante de 15 anos. Índio é um precursor e vanguardista da projeção do nome da Paraíba mundo afora no esporte mais popular do país. Ele é o primeiro paraibano da história convocado para a Seleção Canarinha – sendo o quarto nordestino; o primeiro paraibano a disputar uma Copa do Mundo; um dos primeiros negros e nordestinos a atuar fora do Brasil, jogando pelo Espanyol (Espanha); ídolo de Flamengo e Corinthians, as duas maiores torcidas do país; e o 10º maior artilheiro da história do rubro-negro carioca, com 142 gols em 218 jogos. Essas são algumas marcas do histórico jogador, que tem uma história de superação e motivação, esculpidas por uma tragédia.

Índio perdeu o pai aos sete anos de idade, e foi morar com a família no Rio de Janeiro, junto de seu irmão mais velho. Na cidade carioca que desenvolveu o gosto pelo futebol, ainda na escola. Iniciou os passos no esporte no Bangu em 1947, e foi numa peneira do Flamengo, em 1949, que o olheiro Togo Renan Soares, conhecido por Kanela, tio do apresentador e humorista Jô Soares, o viu brilhar e fez um convite para ingressar na base do rubro-nebro. Em 1951 ele começaria profissionalmente sua trajetória épica no clube da Gávea, que na época tinha como dirigente o ilustre paraibano José Lins do Rêgo, que lhe tratava como xodó e o apelidou carinhosamente de “Menino de Cabedelo”. O atacante também era venerado por outras figuras ilustres como o compositor Ary Barroso. Com 142 gols, Índio é o 10º maior artilheiro da história do Flamengo, onde conquistou 10 títulos, sendo três internacionais.

Após marcar incríveis 41 gols na temporada de 1953 pelo Flamengo, ele foi convocado para a Copa do Mundo de 1954. O paraibano foi responsável por classificar a Seleção para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, com o gol salvador nas eliminatórias diante do Peru, no ano anterior. Porém, o craque ficou de fora do mundial por conta de uma lesão. Um jovem atacante, de nome até então estranho, foi convocado para sua vaga. Era Pelé, com 18 anos, que viria a ser o melhor jogador daquela Copa, e surgiria ali o rei do futebol. Na Canarinha, ele chegou a marcar 10 gols, foi campeão da Taça Atlântico e vice-campeão da Copa América de 1957.

Com seu futebol arte e garra nordestina, o atacante conseguiu o feito de ser admirado pelas duas maiores torcidas do Brasil, além da rubro-negra carioca ele também foi ídolo da nação corinthiana. Para completar seus feitos nas quatro linhas, o cabedelense ganhou o coração da torcida do Espanyol, de Barcelona (Espanha), ao ponto da torcida cantar “Cadê lo Índio?” no estádio, quando não avistavam o craque para entrar em campo. No clube catalão ele marcou 28 gols.

Índio atuou por Flamengo, Corinthians, Espanyol, Lusitano de Évora, Sanjoanense e América (RJ).

O filme

Índio terá sua história contada em um documentário idealizado por Fábio Henrique e Nelsinho Meira. Com título ‘Índio, o herói de 57’, o projeto vai passar por toda linha do tempo do craque paraibano, desde suas origens em Cabedelo, até a ascensão no Flamengo, passando pela épica chegada à Seleção Brasileira e sua ida para a Europa. Será um resgate histórico e documental do paraibano mais importante para o futebol.

“É um projeto singular, que une duas grandes paixões do povo brasileiro: o futebol e o pertencimento. Contar a história de Índio para as novas gerações é uma misto entre memória e motivação. O craque de Cabedelo tem muito a ensinar, e merece o reconhecimento desta obra”, afirmou Fábio Henrique.

Para Nelsinho Meira, o filme entrará na lista de obras que todos precisam assistir para conhecer a trajetória de um dos grandes paraibanos da história. “Entender e conhecer a história de Índio é algo essencial para os amantes do futebol, os paraibanos, os nordestinos, os brasileiros. Todos serão contemplados por uma história moldada por dificuldades, mas que conseguiu a volta por cima através do esporte e do talento. É isso que vivemos e vemos o tempo todo. Então esse filme vai chegar tocando mentes e corações, não tenho dúvida”, declarou Meira.

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