O governo Lula decidiu apertar o cinto. Anunciou nesta quarta-feira (22) um congelamento de R$ 31,4 bilhões no Orçamento de 2025. A tesoura aparece já no primeiro Relatório Bimestral de Receitas e Despesas do ano — documento técnico, mas com efeitos políticos diretos. Junto ao corte, vem aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para reforçar a arrecadação. Receita extra num momento em que a conta não fecha.
Mal a notícia começou a circular, o mercado reagiu. O dólar comercial, que vinha em alta, virou para queda acentuada. Por volta das 14h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,59, queda de 0,70%. Juros futuros, que estavam em alta, estabilizaram.
A meta fiscal, lembrando, é ousada: zerar o déficit em 2025. A banda de tolerância permite um rombo ou superávit de até R$ 31 bilhões (0,25% do PIB). Mas o Orçamento, aprovado pelo Congresso, previa algo ainda mais ambicioso: superávit de R$ 15 bilhões.
O que está na faca
A tesoura do governo se dividiu em duas frentes:
. Contingenciamento de R$ 20,7 bilhões: uma espécie de “reserva de cautela” quando a arrecadação não corresponde às projeções. Pode ser revertido, caso novas receitas entrem no radar.
. Bloqueio de R$ 10,6 bilhões: trava mais rígida, motivada por despesas obrigatórias que cresceram além da conta. Difícil de reverter.
Esses valores serão detalhados em decreto previsto para o próximo dia 30. Cada órgão terá até cinco dias úteis para dizer de onde pretende cortar.
O pano de fundo para os bloqueios vem de aumentos em gastos que escaparam do controle:
Benefícios previdenciários: +R$ 15,6 bi
Plano Safra: +R$ 4,5 bi
Benefício de Prestação Continuada (BPC): +R$ 2,8 bi
Já o contingenciamento reflete frustração de receitas — R$ 31,3 bilhões a menos, com perdas em concessões, royalties e outros tributos.
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