O governo federal aposta em um jantar político, previsto para esta semana, como uma nova tentativa de conter o avanço do projeto que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O presidente Lula deve se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários da base aliada, em mais um movimento para esfriar a temperatura em torno de uma proposta que vem ganhando corpo entre parlamentares simpáticos à narrativa de “excessos justificáveis”.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, vai ao encontro munida de um discurso que tenta, antes de tudo, lembrar os deputados da base sobre os riscos — políticos, jurídicos e institucionais — de embarcar em uma proposta que, nas palavras dela, pode deixar marcas duradouras na biografia de quem a endossa.
A estratégia do Planalto é conhecida: usar o excesso de demandas acumuladas na Câmara como justificativa técnica para empurrar o projeto para o fim da fila. Com mais de dois mil pedidos de urgência aguardando deliberação, não seria difícil fazer a anistia simplesmente perder fôlego no tempo.
O problema é que a proposta tem força dentro do PL, o maior partido da Casa, e conta com o apoio velado (às vezes nem tanto) do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enxerga na medida um gesto de “reparação”. Não custa lembrar que o próprio Bolsonaro virou réu no Supremo no inquérito que investiga os atos golpistas. Para aliados, a anistia tem contornos humanitários. Para outros, tem endereço certo.
Hugo Motta já deixou claro que não pretende atropelar o debate, mas também não vai ignorar a pressão que vem da sua base. Promete equilíbrio, o que, nesse caso, significa administrar interesses opostos com o mínimo de desgaste possível.
O Planalto, por sua vez, faz sua parte: tenta manter o debate sob controle e impedir que o projeto avance ao ponto de virar um constrangimento internacional. Porque, em tempos marcados pela memória curta, deixar sem resposta um ataque às instituições pode custar mais do que alguns votos no plenário.
Por: Beatriz Souto Maior
Fonte: Metrópoles
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