Executivo
Fumaça preta: primeira votação do conclave termina sem a escolha do Papa
07/05/2025 16:14

Suetoni Souto Maior

Fumaça preta sinaliza que os 133 cardeais com direito a voto não chegaram a acordo sobre nome do novo pontífice. Foto: Reprodução

Às 16h (horário de Brasília), pela primeira vez neste conclave, a chaminé da Capela Sistina liberou fumaça preta — sinal de que os 133 cardeais ainda não chegaram a um acordo sobre quem será o sucessor do Papa Francisco. A partir de quinta-feira (8), os ritos seguem um cronograma definido: são quatro votações diárias, duas pela manhã e duas à tarde. No entanto, só é gerada fumaça após a segunda votação de cada turno, ou seja, ela pode aparecer por volta das 5h30 ou 7h, e novamente às 12h30 ou 14h. Se, após três dias, ainda não houver consenso, os trabalhos são interrompidos por um dia de oração.

Durante o conclave, cada cardeal recebe uma cédula com a frase latina “Eligo in Summum Pontificem” (“Elejo como Sumo Pontífice”) impressa no topo. Logo abaixo, há um espaço em branco onde devem escrever à mão o nome de seu escolhido — com caligrafia o mais ilegível possível, segundo a tradição. Votar em si mesmo, ao menos oficialmente, é proibido.

O processo é solene: um a um, os cardeais vão até o altar com a cédula visível, e juram em voz alta, em latim: “Ponho por testemunha a Cristo Senhor, que me julgará, de que dou meu voto a quem, na presença de Deus, acredito que deve ser eleito.” Em seguida, depositam o voto em um prato de prata e o deslizam para dentro da urna, retornando então aos seus lugares.

Do lado de fora do Vaticano, o Polymarket — uma das maiores plataformas de apostas e previsões do mundo — já especula sobre o próximo Papa. Na segunda-feira, às 13h30, o favorito era o cardeal italiano Pietro Parolin, com 30% de chances. Em seguida vinham o filipino Luis Antonio Tagle (19%), os italianos Matteo Zuppi (11%) e Pierbattista Pizzaballa (9%), e o ganês Peter Turkson (8%).

As duas últimas eleições papais — Bento XVI e Francisco — foram resolvidas em dois dias. A maioria dos cardeais aposta em no máximo três; os mais céticos acreditam que pode levar até cinco dias.

O mistério da fumaça

Durante décadas, como o Vaticano conseguia produzir fumaça preta ou branca foi um mistério guardado a sete chaves. Somente em 2013, por ocasião da eleição do Papa Francisco, a Santa Sé revelou a fórmula: são compostos pirotécnicos relativamente comuns.

A fumaça é produzida pela queima das cédulas em um fogareiro especial instalado na Capela Sistina. Para garantir clareza no anúncio, produtos químicos são adicionados: naftalina e lactose geram, respectivamente, a fumaça preta e a branca. Desde 2005, um sistema adicional assegura que a cor seja visível, acabando com dúvidas entre os fiéis que acompanham o ritual à distância.

A fumaça branca é feita com clorato de potássio, açúcar de leite (lactose) como combustível e breu de pinho. Já a preta combina perclorato de potássio, antraceno (presente no alcatrão de carvão) e enxofre. Embora o clorato e o perclorato de potássio sejam semelhantes, o perclorato é preferido por ser mais estável e seguro em certas composições.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave