O governo do presidente Lula (PT) tem justificado aos aliados que o atraso para a definição dos nomes para o segundo escalão tem demorado por causa de um ‘filtro ideológico’ implementado pela nova gestão. O objetivo é vetar das indicações de bolsonaristas para integrar a gestão. De acordo com matéria publicada na tarde desta segunda-feira (16), a questão tem sido analisada junto com a necessária checagem dos currículos e vida pregressa dos indicados. Um dos pontos é uma varredura nas postagens feitas por eles nas redes sociais.
Interlocutores do presidente afirmam não haver restrições a quem trabalhou no governo Jair Bolsonaro (PL), mas veto a indicados que tenham questionado, por exemplo, a legitimidade das eleições. Na prática, o crivo ideológico do PT já vetou pessoas que defenderam a Operação Lava Jato, o ex-juiz Sergio Moro e a prisão de Lula. Os nomes são submetidos à SRI (Secretaria de Relações Institucionais) e depois de apresentados pelos ministros são lançados em um sistema da Casa Civil, onde são analisados tecnicamente.
Lá são pesquisados, por exemplo, os vínculos empresariais e antecedentes criminais dos candidatos a cargos. As etapas para realizar as nomeações já causaram atraso no cronograma do governo. A previsão inicial era a de que nos últimos dias fossem anunciados os nomes dos secretários e assessores da cúpula dos ministérios. Nem todos os ministérios, porém, têm esses cargos definidos. Para esta semana, a previsão é que sejam nomeados os diretores.
Esse filtro foi aplicado, por exemplo, no Ministério da Saúde. Depois de anunciada pela ministra Nísia Trindade, foi revista a indicação da servidora Ana Goretti para o Departamento de Imunização e Doenças Imunopreveníveis do Ministério da Saúde. A razão foram antigas publicações nas redes sociais em que ela elogiava a Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, eleito senador pela União Brasil.
Outro caso doi o do policial rodoviário Edmar Camata. Ele havia sido indicado para o comando da PRF (Polícia Rodoviária Federal). O ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), divulgou o cancelamento da designação 24 horas após ter anunciado o nome de Camata. “Tivemos uma polêmica nas últimas horas e o entendimento dele e da nossa equipe é que seria mais adequado proceder a essa substituição”, disse Dino.
Com informações da Folha de São Paulo
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