Legislativo
Ex-socialista, hoje no PL, Romário faz críticas a Bolsonaro, mas diz que prefere ele a Lula
12/10/2021 08:03
Suetoni Souto Maior
Waldemir Barreto/Agência Senado

Fama de marrento e de quem fala o que dá na telha. Era assim com o jogador, é assim com o senador Romário Faria (PL-RJ), que gerou polêmica nesta semana ao falar sobre as suas preferências para a disputa eleitoral do ano que vem. Ele disse que prefere a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à volta do ex-presidente Lula (PT). Causou surpresa? Nenhuma. Apesar do passado no PSB, há muito o ex-atleta mudou para o PL, um partido do centrão que integra a base de apoio ao presidente no Congresso.

Apesar de ter críticas pontuais em relação a Bolsonaro, Romário não esconde sua admiração por traços da personalidade do presidente. Ele até enxerga melhoras no país sob o comando do capitão da reserva do Exército. “Antes de Bolsonaro, nosso país estava uma merda do caralho”, disse o ex-jogador de futebol em entrevista ao “Cara a Tapa”, canal no YouTube do jornalista esportivo Rica Perrone.

A conversa com Perrone começou restrita ao futebol e depois progrediu para as questões políticas. Foi quando Romário deixou clara sua predileção pelo bolsonarismo. Ele até fez críticas ao gestor, mas daquelas bem singelas. “Cara, eu faço parte de um partido [PL] que, hoje, ele é Bolsonaro”, diz. “Se você me perguntar o que eu acho disso, acho que o Bolsonaro é um presidente que tem feito coisas positivas pro nosso país. Erra em alguns momentos, principalmente nesses últimos dois anos, com a pandemia. Deixou de ter algumas ações. Na minha opinião falou algumas coisas que poderia não ter falado…”

Perrone questiona nessa hora: “Ele se embananou muito, né?”. O ex-futebolista, campeão mundial em 1994, concorda, mas logo sai em defesa do presidente, seu colega no Congresso entre 2011 e 2014, quando os dois eram deputado. “Tomou algumas decisões que poderia não ter tomado. Mas eu, particularmente, convivi com Bolsonaro nos quatro anos de deputado federal, ele estava lá ainda. E o Bolsonaro é um cara muito sério, isso eu posso afirmar. Um cara que tem coragem, que não tem medo de se posicionar. Isso ele trouxe isso para a Presidência”.

Disse, em seguida, que se a eleição fosse hoje ele votaria pela reeleição do atual ocupante do Palácio do Planalto. Romário também falou que se detém às pautas que ele tem maior identidade, que são educação, esporte e saúde. Sobre as questões econômicas, ele não se atreve. “Eu não sou aquele cara que, ‘pô, vou falar da Amazonas (sic), da Petrobras, enfim, de assuntos que eu não tenho total conhecimento pra falar.”

Mais adiante na conversa, Romário lamenta: “Infelizmente no Brasil hoje falar de política tá chato, sabe por quê?” Dá como exemplo a própria entrevista com Perrone. Acabou de falar que gosta de Bolsonaro, “de pessoas com personalidade”, e já sabe: “A esquerda vai me dar porrada”. Como também afirmou que o presidente errou em colocações e decisões, a direita lhe reservará tratamento similar. “Posso fazer o que? Foda-se, tenho que falar”, afirma. “A gente tá passando do limite, tudo é cancelado.”

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