Executivo
Ex-aliados dizem que “encolhimento” do PSD na Paraíba pesou para que Romero fosse apeado do comando do partido
30/03/2022 08:54
Suetoni Souto Maior
Romero Rodrigues vai mudar de partido. Foto: Divulgação

Antes de decidir sobre a substituição do ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, pela senadora Daniella Ribeiro no comando do PSD, nesta terça-feira (30), Gilberto Kassab analisou o retrospecto da sigla sob o comando do agora ex-dirigente. A radiografia tirada não agradou, dizem “ex-aliados” de Rodrigues. Da época em que a sigla era comandada pelo ex-deputado federal Rômulo Gouveia (já falecido) para agora, a agremiação encolheu significativamente. E para piorar, o ex-prefeito demonstrou pouca perspectiva de sucesso na montagem de uma chapa forte para as eleições deste ano.

O partido em 2018 tinha 198 vereadores e agora não tem mais do que 70. Tinha 35 prefeitos e hoje apenas 10. Possuía representação em 202 municípios e hoje não ultrapassa os 70, o mesmo número de vereadores. Para piorar a situação, não há diretórios em atividade em cidades importantes como João Pessoa, Cabedelo, Bayeux e Santa Rita. As queixas dão conta de que em 2020, ao invés de percorrer o Estado para fortalecer o partido nos municípios, Romero teria priorizado de forma demasiada a eleição do atual prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD).

Tudo isso seria ignorado, no entanto, se Romero tivesse conseguido filiar os deputados federais Ruy Carneiro e Leonardo Gadelha, além do suplente Rafafá, como estava no horizonte. Isso possibilitaria, segundo dirigentes, eleger dois deputados federais direto e, com a cauda, talvez um terceiro, levando em conta as sobras.

O movimento para a mudança do comando, por isso, foi feito sem a participação de Romero Rodrigues. Já havia as especulações de que ele poderia mudar de sigla e, por isso, as filiações não estavam sendo oficializadas. Esta situação pavimentou o caminho para que o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) articulasse a “tomada” do partido, para que ele fosse comandado por Daniella Ribeiro. O movimento também fortalece as pretenções de Kassab de ter um número significativo de cadeiras no Senado. A Casa Alta, inclusive, é comandada por um militante do partido, o senador Rodrigo Pacheco (MG).

Se posicionando como quem levou uma rasteira, nesta terça-feira, Romero Rodrigues chegou a postar vídeo no Instagram negando que tivesse perdido o comando do partido. A divulgação ocorreu no mesmo momento em que o blog do Suetoni publicava, com exclusividade, a notícia da mudança de comando. Os fatos mostraram poucas horas depois que o ex-prefeito estava errado. Ele agora vai procurar novos ares, se filiando a outra sigla. Romero tem um histórico político importante e tende a contribuir eleitoralmente para onde for. A mudança agora, vale ressaltar, é questão de sobrevivência política.

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