O deputado federal Cabo Gilberto (PL) revelou na semana passada que vai disputar a vaga de senador nas eleições de 2026. O projeto político faz parte de uma ofensiva planejada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, do mesmo partido, que tem focado na ampliação da representatividade bolsonarista na Casa Alta. A meta é a improvável formação de uma bancada com poder suficiente para votar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O problema é que a postulação atrapalha em grande medida outra candidatura do grupo, a do pastor Sérgio Queiroz (Novo).
Este último recebeu a promessa de apoio do PL para a disputa, no ano que vem. O motivo foi o fato de ter aberto mão da candidatura à prefeitura de João Pessoa para ser vice na desacreditada chapa comandada, na eleição de 2024, pelo ex-ministro Marcelo Queiroga (Saúde). A previsão da época, de que o grupo seria derrotado pelo prefeito Cícero Lucena (PP), foi confirmada. Mas restou a promessa de apoio ao projeto político de Queiroz, que deverá ser mantida dentro da perspectiva de duas candidaturas do grupo para as eleições deste ano.
O grande problema é concentrar as votações em dois candidatos da mesma matriz ideológica, diante da quantidade de candidaturas apresentadas. Na eleição de 2026, cada eleitor será chamado a eleger dois senadores. Serão, então, dois votos, o que abre a perspectiva de eleição de um candidato aproveitando o segundo voto. O fulano pode ter compromisso com um postulante “x” e votar em outro por afinidade. E esta poderia ser uma arma para Sérgio Queiroz, que se apresenta como político não profissional.
Com duas candidaturas, restará aos dois a briga pelos eleitores mais fiéis do bolsonarismo e dividir o voto dos “menos fiéis” ao ex-presidente. Lembrando que, no estado, este não é o eleitor majoritário. Em 2022, Bolsonaro conseguiu apenas 33,3% dos votos paraibanos, um cenário que tende a não ser tão diferente no ano que vem.
Por outro lado, há uma diversidade relativamente grande de opções para o segundo voto no pleito de 2026. Além de Gilberto e Queiroz, são esperadas as candidaturas do governador João Azevêdo (PSB), do prefeito de Patos; Nabor Wanderley (Republicanos), e dos senadores Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Daniella Ribeiro (PP). Esta última, no entanto, tem a candidatura condicionada a cenários específicos. Mesmo assim, é um número grande demais para a disputa.
Em entrevistas, o Cabo Gilberto lembrou do seu histórico em disputas difíceis. Causou surpresa em 2018, ao ser eleito para a Assembleia Legislativa. Quatro anos depois, foi eleito para a Câmara dos Deputados mesmo sendo tratorado pelo presidente do partido, o deputado Wellington Roberto, também do PL. A escolha do Senado, portanto, seria mais um, entre muitos desafios, que o militar da reserva foi sujeitado. Este, no entanto, parece o mais difícil. Assim como será difícil também para Sérgio Queiroz.
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