Executivo
Em nota assinada por Efraim Filho, bancada do União Brasil sai em defesa de ministro na corda bamba
06/03/2023 07:47
Suetoni Souto Maior
Ministro é acusado de ter usado avião da FAB e recebido diárias para agenda privada em sua maior parte. Foto: José Cruz/ABr

As bancadas do União Brasil na Câmara e no Senado assinaram nota oficial, neste fim de semana, em defesa do ministro Juscelino Filho (Comunicações). A revolta do grupo, entre eles o senador paraibano Efraim Filho, tem origem em declarações da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. Para eles, a dirigente trata o auxiliar do presidente Lula (PT) com dois pesos e duas medidas. Ou seja, quando são petistas envolvidos em denúncias, ela passaria pano para eles, defendendo o direito ao contraditório. Na corda bamba, Juscelino Filho tem reunião com o mandatário nesta segunda-feira (6) e pode ser exonerado do cargo.

O desconforto surgiu porque deputada petista defendeu o afastamento de Juscelino do governo para que ele justifique a acusação de utilizar um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para participar de um leilão de cavalos de raça no interior de São Paulo. O ministro solicitou a aeronave em caráter “urgente” para ir ao município de Boituva, em São Paulo, de 26 a 31 de janeiro. No local, assessorou compradores de animais e inaugurou uma praça em homenagem ao cavalo de um sócio. Teve cerca de duas horas de compromissos oficiais. O evento com cavalos não constava em sua agenda.

O ministro recebeu R$ 3.000 do erário para custeio de hospedagens e voou em um jato privado da FAB de Brasília a São Paulo. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os custos do transporte de ida e volta somaram aproximadamente R$ 140 mil. A defesa de Juscelino afirma que a viagem se tratava de agenda oficial e tinha “claro interesse público”, o que justificaria o uso do transporte da FAB. O episódio repercutiu mal, por ter se juntado a outros desabonadores contra o ministro. Ele não declarou parte do patrimônio à Justiça Eleitoral e ainda é acusado de ter apresentado emenda para obra que beneficiou a família.

Os colegas do partido defendem o ministro, comparando as acusações que pesam contra Juscelino Filho com as efrentadas recentemente pelos petistas. “Quando atitudes dos seus aliados são contestadas –e não faltaram acusações a membros do PT na história recente do país –a parlamentar prega o direito de defesa. Quando a situação se inverte, prefere fazer pré-julgamentos“, diz o partido, fazendo referência às críticas de Gleisi Hoffmann. Recentemente, em entrevista à Band News, Lula disse que o ministro precisaria provar sua inocência. Caso não consiga, não poderá ficar no governo.

Talvez o que mais tenha incomodado os petistas é que o União Brasil indicou três ministros no governo, mas não demonstra disposição para fechar o apoio nas votações. Grande parte dos parlamentares do partido se identifica muito mais com as bandeiras do bolsonarismo.

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