Executivo
Em live, após recuo, Bolsonaro mantém tom conciliador, sugere plantio de verduras e que as pessoas apaguem as luzes
09/09/2021 20:39
Suetoni Souto Maior
Presidente justificou para os apoiadores que recuo era para não prejudicar o país. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou de tom conciliador na live semanal, nesta quinta-feira (9), nas redes sociais. Depois de ter adotado postura ameaçadora e indicado a intenção de uma ruptura democrática nos atos do 7 de Setembro, ele moderou o discurso. Em nota, mais cedo, procurou colocar água na fervura e negou a intenção de dar um golpe. Atribuiu os discursos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao “calor do momento” e garantiu que não teve a “intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

Na live desta quinta, o presidente buscou conversar sobre amenidades. Lembrou de quando, ainda criança, plantava uma horta em casa e ajudava na alimentação da família e pediu para as pessoas apagarem as luzes por causa do risco de apagão. Ele comentou a contrariedade, também, de apoiadores que esperavam que ele tivesse dado um golpe de estado. Justificou que é chefe da nação e, por isso, não poderia adotar medidas que trouxessem prejuízos para a população. O gestor alegou ainda que espera que os caminhoneiros suspendam a paralisação.

As amenidades desta quinta-feira contrastam com o tom belicoso da última terça-feira. Em ato político em São Paulo, Bolsonaro afirmou que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Dizer a vocês que, qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais”, declarou Bolsonaro a um público de apoiadores.

O tom ameaçador dos discursos gerou reação em setores do empresariado e nos órgãos que compõem os três Poderes. Houve reação dura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux. Reação com tom mais ameno do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Procurador-geral da República, Augusto Aras. Todos, com maior ou menor fervor, defenderam a democracia e fizeram críticas à beligerância estimulada pelo presidente,

A divulgação da “Declaração à Nação” foi um conselho a Bolsonaro do ex-presidente Michel Temer. Na manhã desta quinta, Bolsonaro mandou um avião para São Paulo, a fim de buscar o ex-presidente para um almoço no qual discutiram a crise institucional. Temer orientou Bolsonaro a divulgar um “manifesto de pacificação”. No texto, o presidente credita a crise institucional a “discordâncias” em relação a decisões de Alexandre de Moraes e afirma que essas questões “devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”.

Veja a carta

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

  1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
  2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
  3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
  4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
  5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
  6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
  7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
  8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.
  9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
  10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil

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