Legislativo
Dois paraibanos no centro da briga do PL pela indicação de Eduardo Bolsonaro para Comissão de Relações Exteriores
12/03/2025 08:59

Suetoni Souto Maior

Hugo Motta, Eduardo Bolsonaro e Lindberg Farias. Foto: Montagem

A disputa pelo comando da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados tem sido, de longe, a mais renhida no início do atual período legislativo. No centro das discussões estão dois paraibanos e o desejo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) de assumir a função. Na oposição a isso está o deputado petista Lindberg Farias (RJ), que vê como deletéria a posição bolsonarista em relação ao Brasil, no exterior. O ponto de crítica principal é às idas e vindas do “zero três” aos Estados Unidos e a defesa de retaliações de nações estrangeiras ao país.

A mediação cabe a outro paraibano, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos). O parlamentar promete definir os espaços até amanhã. O ponto favorável ao pleito bolsonarista é o fato de o PL ter a maior bancada na Casa, o que dá a ele a primasia de indicar duas comissões de sua preferência. Lindberg, por outro lado, se opõe ao acordo definido pelas lideranças e defende que os bolsonaristas ocupem outras comissões. Não fazem questão nem da Educação, antes considerada prioridade pelos petistas.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), avisou a Motta que a decisão está tomada e a indicação para o comando da Comissão de Relações Exteriores será Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Já o presidente da Câmara reconheceu que a o critério da proporcionalidade será adotado a favor do PL. “Eu não acredito que haja razão para uma crise (para a nomeação de Eduardo Bolsonaro), até porque essa distribuição pelos partidos das comissões é uma coisa que já é conhecida por todos. É uma praxe regimental, não há muito o que o presidente fazer, o que outros partidos fazerem. Isso se dá pelo tamanho de cada bancada, não tem nenhuma novidade nisso, não há como interferir, não há como mudar”, disse.

Negociação
Nesta terça-feira (11), lideranças de partidos de centro e até parlamentares do PL, aliados de Valdemar da Costa Neto, tentaram persuadir a ala mais bolsonarista da legenda a abdicar da comissão, ou ao menos indicar outro nome que não seja o do filho do ex-presidente.

A comissão é responsável pelas relações diplomáticas e consulares da Câmara com governos e entidades internacionais. No cenário atual, o colegiado ganha mais importância para a direita por ter condições de manter uma interlocução com o governo Donald Trump, dos Estados Unidos.

Deputados do PL admitem que, como presidente da comissão, Eduardo Bolsonaro teria mais prestígio e status para defender o pai em eventos internacionais, movimentação que já vem ocorrendo. O “zero três” liderou uma campanha contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dos Estados Unidos, nos últimos meses. No início de fevereiro, ele esteve em Washington, capital americana.

Eduardo e outros bolsonaristas têm alimentado nas redes sociais e em canais da direita a tese de que a agência americana USAid teria interferido na eleição presidencial brasileira de 2022 durante o governo Joe Biden com repasse de dinheiro para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pretexto de combater a desinformação, quando a Corte era presidida por Moraes.

Diante da investida do PL para comandar a comissão, o PT sinalizou que também queria o posto, ou tentava articular para que outro partido de centro assumisse o colegiado. O partido de Lula ainda pediu ao STF a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro. “(Eduardo está) tentando influenciar o governo americano contra os interesses nacionais. A Câmara entrar nessa é comprar um conflito institucional”, diz o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).

O PL tem direito às duas primeiras pedidas de comissões da Câmara. Serão elas a Creden e a comissão de Saúde. A ordem de preferência entre as legendas é determinada pelo número de deputados em cada bancada. O partido de Bolsonaro tem 99 representantes na Casa. Em seguida, o PT poderá pedir sua prioridade de comissão. Caso o PL insista na Creden, a legenda de Lula irá solicitar a comissão de Educação. A comissão de Saúde tem maior potencial de verbas e, portanto, com maior volume de emendas a serem distribuídas para prefeituras pelo país.

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