Um escritório de advocacia paraibano está envolvido em um processo pra lá de curioso: viabilizar o envio de um casal de ursos-panda gigantes da China para o Brasil. A contenda parece simples, mas não é. Envolve um intrincado entendimento entre autoridades brasileiras e chinesas, tudo intermediado através do Ministério das Relações Exteriores. O presente (ou empréstimo dos animais) é fruto da última visita do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil, em novembro do ano passado, quando esteve reunido com o presidente Lula (PT). A prática tem raízes milenares no país asiático.
O escritório escolhido pelo Brasil para representar o caso é o Nóbrega Farias, que tem como sócios os advogados Rodrigo Farias, Carlos Frederico Farias e Afrânio Mello Neto. Nos bastidores, corre uma disputa silenciosa de pelo menos quatro zoológicos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A opinião do advogado Rodrigo Farias é o de que o situado em Cotia leva vantagem, por ser considerado um dos maiores e mais bem estruturados parques da América Latina.
Farias explicou que os pandas estão em processo de chegada ao Brasil. O processo enfrenta uma burocracia de envio por parte do governo chinês, que faz inúmeras exigências ao país que recebe os animais. Vale lembrar que eles são símbolo do país asiático. O processo está tramitando entre o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Meio Ambiente. O desfecho não é simples e nem tampouco barato. As despesas para o envio giram em torno de 1 milhão de dólares, o equivalente a R$ 5,6 milhões, segundo a última cotação da moeda norte-americana.
A tradição chinesa fala no presente dos animais para os países amigos durante a visita do governante chinês, mas no caso do Brasil será um empréstimo por 10 anos. O Palácio do Planalto tem influência na escolha do destino final dos animais, dizem políticos e diplomatas a par da negociação. Os governos da China e do Brasil deram o aval político a uma cooperação que envolve, na ponta brasileira, um ente privado.
Os pandas precisam de ambientes específicos, com alimentação e cuidados especiais. A China também exige que sejam regularmente visitados por equipes de veterinários ligados à fundação que trabalha em prol de sua conservação global. Em caso de reprodução, os filhotes devem ser devolvidos à China, dentro do programa de reprodução da espécie.
De acordo com Rodrigo Farias, a expectativa é que o caso seja solucionado em poucos dias, muito provavelmente com a escolha do Parque de Cotia, que tem melhores condições para o recebimento do urso panda.
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