Executivo
Diagnóstico de Covid-19 no sétimo dia do “inferno astral” do ministro paraibano Marcelo Queiroga
22/09/2021 08:49
Suetoni Souto Maior
Marcelo Queiroga durante audiência no Senado. Foto: Divulgação/Senado

Começou na quarta-feira (15) da semana passada o inferno astral do ministro Marcelo Queiroga (Saúde). Uma série de acontecimentos negativos ocorridos em sequência culminou com a desastrada passagem dele por Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde teve o diagnóstico de Covid-19 confirmado nesta terça-feira (21). O paraibano foi o segundo membro da comitiva comandada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na participação da 76ª Reunião da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) a testar positivo para a doença. Com isso, ele terá que ficar de quarentena por 14 dias no país norte-americano antes de retornar ao Brasil.

O primeiro ato da desabonadora fase vivida pelo ministro foi a proibição da vacinação dos adolescentes com idades entre 12 e 17 anos. O fato ocorreu no dia 15. Os argumentos dados pelo ministro não convenceram ninguém e foram severamente criticados por especialistas e gestores municipais e estaduais. Vários municípios de todos os estados do Brasil se “rebelaram” e deram continuidade à imunização, ignorando o ministro. O ato contínuo disso é que nesta terça-feira (21) o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu decisão dando a Estados e Municípios o direito de decidir sobre o assunto. O Plano Nacional de Imunizações (PNI), portanto, perdeu o objeto.

Desde a quarta-feira da semana passada, o ministro gasta tempo e energia com o assunto. Na quinta-feira (16), na live semanal de Jair Bolsonaro, ficou claro que partiu do presidente a determinação para que a imunização fosse proibida. O pano de fundo foi a morte de uma jovem vacinada, que depois ficou comprovado que o óbito não teve o imunizante como causa. Isso fez com que a autoridade de Marcelo Queiroga fosse contestada pela imprensa e gestores, com paralelos sendo traçados entre ele e o ex-ministro Eduardo Pazuello. A boa fama conquistada pelo retrospecto assertivo na defesa e estímulo à vacina acabou caindo por terra. Ele inclusive deve ser convocado novamente pela CPI da Pandemia, em tramitação no Senado.

Outro fato lamentável relacionado com o ministro foi o ato obsceno e a postura descontrolada dele ao reagir a um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Nova Iorque. O médico conceituado, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, acabou retratado de forma negativa pela imprensa que cobre o Planalto. E ainda tem a denúncia de que o ministro levou com frequência parentes em aviões da FAB durante agendas oficiais. Tudo nos últimos sete dias.

O período de quarentena, por isso, servirá para que o paraibano possa refletir sobre os últimos acontecimentos e o legado que pretende deixar ao sair do governo. Queiroga é o quarto ministro a ocupar a pasta da Saúde no governo Bolsonaro em pouco mais de um ano.

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