Executivo
Descontrole inflacionário dos combustíveis põe prefeituras e empresas de transporte no fio da navalha
27/02/2022 09:50

Suetoni Souto Maior

Medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal para elevar comparecimento às urnas. Foto: Divulgação

As tarifas de ônibus de João Pessoa tiveram reajuste de 6% na última sexta-feira (25). O resultado disso, lógico, foi muita polêmica e reclamação dos usuários. Tudo isso é natural e segue a linha do ocorrido ao longo dos anos, afinal, ninguém quer pagar mais caro para acessar o transporte público, principalmente em período de achatamento dos salários e pressão inflacionária. O impacto é similar ao vivido por quem tem carro e não anda nadando em dinheiro, o que é a realidade da maioria da população. O diesel nos 25 meses que separam o reajuste anterior e este subiu quase 50%. O mesmo ocorreu com a gasolina.

A gente não costuma fazer as contas disso, porque a racionalidade esbarra no nosso prejuízo financeiro. Mas é verdade que a condução errádica da economia, no plano nacional, tem impactado no custo de vida de uma forma geral. No aspecto geral, a inflação do período foi de 15% e o reajuste das passagens, em João Pessoa, de 6%. Elas subiram de R$ 4,15 para R$ 4,40. O reajuste ficou dentro do que era esperado pelos especialistas no plano nacional, que projetaram um aumento nos valores que podem chegar a 20% em algumas cidades, mas com repercussão média de 10% na maioria dos municípios.

Todas as cidades que conseguiram ou vão conseguir mitigar o peso do reajuste estão tendo que cortar na carne, com a redução da cobrança do Imposto Sobre Serviço (ISS). A prefeitura da capital enviou para a Câmara de João Pessoa, no ano passado, projeto que reduziu à metade percentual do tributo. Isso traz um impacto de R$ 300 mil mensais para as contas públicas a título de renúncia fiscal. No ano, a renúncia fiscal gira em torno dos R$ 3,6 milhões, dinheiro suficiente para bancar a construção de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Não tem milagres, você tira para um lugar e falta em outro.

A medida vem com o compromisso assumido pelas empresas de aumentar o número de linhas disponíveis, frota, melhorar o fluxo dos veículos nos fins de semana e ainda reduzir a idade média dos ônibus. Essa régua reafirmada agora novamente para conceder o reajuste. A situação não é simples. Informações obtidas pelo blog junto às empresas de ônibus indicam que houve redução de 40% do número de passageiros desde o início da pandemia e isso trouxe impacto forte sobre as contas das empresas.

Nacional

Matéria de O Globo, publicada em janeiro, já indicava que o ano não seria fácil para as pessoas que fazem uso dos sistemas públicos de transporte. Mais de 13 milhões de brasileiros, segundo a projeção, vão pagar mais caro pelo ônibus neste ano. São moradores das mais de 30 cidades do Norte ao Sul do país, com reajustes que ultrapassam 20%. Com isso, consultorias e bancos estimam que, na média do país, a alta do principal modal de transporte público no Brasil suba 10%, a maior alta desde 2015.

Muitas capitais e outras grandes cidades ainda devem aumentar suas tarifas de transporte, fazendo do setor um dos maiores vilões da inflação para este ano. As pressões são variadas: o diesel está 48% mais caro e há reajustes represados na pandemia. Em 2020 e 2021, a alta do ônibus urbano foi pouco acima de 1%. O IGP-M, um dos indexadores dos contratos de concessão de transporte, fechou o ano em 17,78%.

Outro fator de pressão é a e a data-base de motoristas e cobradores, entre janeiro e maio. Com a inflação acima de 10%, a pressão por reajuste será forte, com reflexos na tarifa.

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